“Carne Fraca”: por que a imprensa blinda Blairo Maggi?

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(Foto: EBC)

PF fez busca a apreensão no gabinete do ministro, em sala que abriga responsáveis por contato com o Congresso; em agosto ele reduziu fiscalização sanitária

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

De Olho nos Ruralistas informa: ““Carne Fraca”: PF fez busca e apreensão no gabinete de Blairo Maggi“. Não na sala específica do ministro da Agricutura, mas no gabinete, no mesmo andar – na sala onde ficam os responsáveis pela articulação política e pela relação com o Congresso. A grande imprensa não deu, embora a informação (com endereço e tudo) esteja escancarada na lista de busca e apreensões divulgada pela Polícia Federal.

Não deu porque é distraída ou porque há interesse de patrões e editores em blindar o ministro?

Em agosto, Maggi anunciou que reduziria a fiscalização sanitária. Foi uma das medidas anunciadas no plano Agro+. A imprensa também ignorou. É novamente o De Olho nos Ruralistas – um observatório sobre agronegócio no Brasil – que informa, em notícia na semana de inauguração do site, em setembro: “Maggi reduz fiscalização sanitária: ‘É o mercado que vai punir quem faz coisas erradas'”. Continuar lendo

Paola Carossella: “Elite também come agrotóxicos”

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Conhecida como jurada do Masterchef, argentina aponta comunicação como questão-chave no combate ao uso de venenos na comida

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A chef argentina Paola Carossella defendeu nesta sexta-feira a comunicação com os consumidores como forma de combater o uso de agrotóxicos. “As pessoas não sabem o que está acontecendo”, disse ela, durante seminário promovido pela Comissão Especial sobre Fitossanitários da Câmara dos Deputados. “Existe uma enorme desinformação. O que a gente pode fazer é comunicar”.

Jurada do Masterchef, reality show sobre gastronomia da Band, contou que, ao se tornar mais conhecida, as pessoas começaram a perguntar sobre a viabilidade do consumo de comida orgânica. E a falar que se trataria de uma comida elitista. “Será? Conheço restaurantes caríssimos que não servem orgânicos. Não creio que as pessoas que produzem agrotóxicos estejam comprando cesta orgânica”. Continuar lendo

Idec: Brasil importa frutas com agrotóxicos ilegais

Dados constam de última pesquisa do governo; pesquisadora Ana Paula Bortoletto diz que Brasil trabalha com amostras insuficientes para tamanho do problema

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Da Espanha vem a uva. Com agrotóxicos proibidos, no Brasil, para a produção dessa fruta – em todas as amostras analisadas pelo governo brasileiro. Da Itália, o kiwi: quatro entre as cinco amostras apontam utilização de agrotóxicos não permitidos. Do Uruguai, a maçã. Igualmente envenenada, com quantidade de pesticidas acima do limite tolerável. Todos os dados constam de um levantamento divulgado em junho pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que passou despercebido da imprensa.

“Os alimentos que a gente está importando para consumir no Brasil também estão contaminados, e com alimentos impróprios para a cultura”, aponta Ana Paula Bortoletto, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Ela analisou os dados do Ministério da Agricultura em entrevista ao De Olho nos Ruralistas, um observatório sobre agronegócio no Brasil. Continuar lendo

SP, RJ, RS, PR e SC têm 60% das feiras orgânicas do país

 

Mapa de Feiras Orgânicas do Idec mostra necessidade de políticas públicas para se atingir lugares mais pobres; movimento atual do governo é no sentido oposto

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Entre 490 feiras identificadas pelo Mapa de Feiras Orgânicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (idec), 60% delas (292) ficam em apenas cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. No restante do país há Unidades da Federação com apenas uma feira conhecida, como Amapá, Amazônia e Rondônia.

A pesquisadora Ana Paula Bortoletto, do Idec, diz que para se fazer uma melhor distribuição geográfica são necessárias políticas públicas. E é aí que mora um dos problemas. O governo interino de Michel Temer tem feito sinalizações no sentido contrário. Com a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e medidas que estimulam ainda mais o setor do agronegócio, e não a agricultura familiar. Continuar lendo

Idec avisa: consumidor pode ser outra vítima do governo Temer

Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Ana Paula Bortoletto diz que riscos ambientais e para saúde são maiores com governo interino e instabilidade

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O direito do consumidor à informação está ameaçado. No Senado, um projeto de lei – relatado pelo suplente do Ministro da Agricultura – pode retirar a obrigatoriedade dos rótulos para produtos transgênicos. Confirmando o que foi aprovado, em 2015, na Câmara dos Deputados. Uma pesquisadora do Idec, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, diz que a instabilidade política joga a favor da aprovação – e convida a sociedade a se mobilizar contra.

Para Ana Paula Bortoletto, que também faz parte de um grupo de pesquisa na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), são grandes as chances de retrocesso em relação aos direitos sociais, em meio ao governo interino de Michel Temer. “E isso inclui o direito do consumidor à informação clara, correta, sobre o que está sendo ofertado no mercado e quais os riscos que os produtos apresentam para a saúde, ou o impacto ambiental dos alimentos”. Continuar lendo

Crianças envenenadas: nem bebês estão a salvo dos agrotóxicos

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Pesquisa da USP traz detalhes sobre distribuição etária da contaminação por pesticidas no Brasil; 40% dos casos até 14 anos em MG e MT atingem faixa até 4 anos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Crianças e adolescentes até 14 anos estão entre as vítimas – e entre as vítimas fatais – de pesticidas no país. E não há limite de idade. Em Estados como Minas Gerais e Mato Grosso, a incidência entre crianças de 0 a 4 anos supera 40% do total de crianças e adolescentes envenenados.

Esses são alguns dados organizados pela professora Larissa Bombardi, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), e que farão parte da Geografia do Uso dos Agrotóxicos no Brasil, uma pesquisa que será finalizada e divulgada neste semestre. Continuar lendo

Agrotóxicos: a história de 1 milhão de envenenados

Professora da USP prepara “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil”; repercussão de entrevista mostra importância de um observatório do agronegócio no Brasil

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Entre 2007 e 2014, 25 mil pessoas foram atingidas pelo uso de agrotóxicos no Brasil. Intoxicadas. Dessas, 1186 morreram. Mas essa é apenas a ponta do iceberg, aponta a professora Larissa Mies Bombardi, do Departamento de Geografia da USP. Estima-se que, para cada caso notificado, ocorram outros 50. Em outras palavras, o país teve nesse período mais de 1 milhão de pessoas envenenadas por pesticidas.

Larissa finalizará neste semestre a “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil”. Com dados atualizados por Unidades da Federação, municípios, gênero, idade. De Olho nos Ruralistas – um observatório jornalístico sobre o agronegócio no Brasil – entrevistou a professora e detalhou esses dados, mapa a mapa.

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As 70 milhões de crianças que vão morrer e o recall das cômodas assassinas

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Relatório do Unicef diz ainda que 750 milhões de mulheres se casarão ainda crianças, até 2030; notícia sobre cômodas assassinas ganhou quase o mesmo espaço

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Li as duas notícias ao lado uma da outra, na home do UOL. 1) “70 milhões de crianças morrerão até 2030 se o mundo não agir, diz Unicef“. Antes de completarem 5 anos. 2) “Gigante de móveis Ikea fará recall de 29 milhões de cômodas após mortes“. (Mortes de crianças. Pelo menos seis crianças morreram desde 1989.)

E fiz a conexão singela entre elas: em que momento faremos um recall desse sistema?

As cômodas estão caindo. Elas vão cair. O sistema que permite 70 milhões de mortes de crianças e é naturalizado diariamente pelos meios de comunicação… precisa mudar. E esta não é apenas uma questão revolucionária. Pode ser uma questão para quem tem formação religiosa (mais ou menos conservadora), ou em direitos humanos – direitos humanos nasceram no capitalismo, não são coisa de comunista.

Para quem tenha compaixão. Algum código de princípios. Pois boa parte desses milhões de crianças vai morrer. Fora as que têm mais de 5 anos. Quantas, exatamente? Quantas ainda podem ser salvas? (E que editorial de jornal está tratando deste tema, hoje?) Continuar lendo

Haddad e os moradores de rua; ele fala de “hipocrisia”; falemos de cinismo

Prefeito demonstra ao mesmo tempo arrogância e ignorância em relação a aspectos elementares da comunicação com cidadão e imprensa; seria melhor ouvir conselhos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Prefiro acreditar que as pessoas que cuidam do setor de comunicação da prefeitura paulistana tentem alertar Fernando Haddad sobre aspectos básicos do tema. E que apenas ele – sem ouvir os conselhos – seja o responsável pela sequência de falas desastrosas, no caso da morte de moradores de rua em São Paulo.

Digo isto a propósito de um post de ontem no Facebook, intitulado “mentira e hipocrisia“. Sim, ele começa falando da grande imprensa. Que, de fato, é hipócrita. Com agenda mais eleitoral que humanista. Mas encerra falando de “romantização da permanência na rua em situação de risco extremo”, e associando-a à hipocrisia.

Falemos, então, de hipocrisia. E de cinismo. Muito boa a aula do professor Haddad sobre a diferença entre as duas palavras. Ao falar – cinicamente – de hipocrisia. Continuar lendo

Sobre as regras nos albergues e as pessoas que morrem de frio

Cinco moradores de rua morreram nos últimos dias em SP; tuberculose e rejeição a animais de estimação como fatores de rejeição a abrigos mostram limites do Estado

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Há muito mais coisas entre os albergues e os moradores de rua que o senso comum possa imaginar. Uma das consequências concretas: as pessoas estão morrendo de frio. Em São Paulo, nos últimos dias, foram cinco. Notícia de hoje da Folha mostra que as regras nos albergues afugentam o povo de rua. Entre elas, proibição de casais. Outra, dificuldade para abrigar os animais de estimação.

Mas não só: há o medo da tuberculose. Nada menos que uma das principais causas de morte nos presídios, por exemplo. Todos esses fatores estão listados na reportagem. E mostra que a recusa dos moradores de rua em relação aos abrigos nada tem de capricho. Muito menos de suicida: há os que preferem andar à noite para se aquecer; e, portanto, dormir de dia. Continuar lendo