“Carne Fraca”: por que a imprensa blinda Blairo Maggi?

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(Foto: EBC)

PF fez busca a apreensão no gabinete do ministro, em sala que abriga responsáveis por contato com o Congresso; em agosto ele reduziu fiscalização sanitária

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

De Olho nos Ruralistas informa: ““Carne Fraca”: PF fez busca e apreensão no gabinete de Blairo Maggi“. Não na sala específica do ministro da Agricutura, mas no gabinete, no mesmo andar – na sala onde ficam os responsáveis pela articulação política e pela relação com o Congresso. A grande imprensa não deu, embora a informação (com endereço e tudo) esteja escancarada na lista de busca e apreensões divulgada pela Polícia Federal.

Não deu porque é distraída ou porque há interesse de patrões e editores em blindar o ministro?

Em agosto, Maggi anunciou que reduziria a fiscalização sanitária. Foi uma das medidas anunciadas no plano Agro+. A imprensa também ignorou. É novamente o De Olho nos Ruralistas – um observatório sobre agronegócio no Brasil – que informa, em notícia na semana de inauguração do site, em setembro: “Maggi reduz fiscalização sanitária: ‘É o mercado que vai punir quem faz coisas erradas'”. Continuar lendo

Brasil precisa de uma Crítica da Aceleração Cínica

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O cinismo no Brasil virou um atropelo. Uma disparada. Uma manada de cínicos tomou o Planalto, referendada por cínicos de toga e por multidões de cínicos políticos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O filósofo alemão Peter Sloterdijk escreveu sua “Critica da Razão Cínica” em 1983. Mais de 30 anos depois, podemos usar o mote para pensar na extensão do cinismo em terras brasileiras, nestes tempos recentes. A ética das conveniências – uma ética às avessas, portanto – tem sido invocada por atores políticos de diversos matizes. Particularmente pelos que pretendem preservar o estado atual das coisas. Como os cínicos descritos pelo alemão.

Não falo dos cínicos originais, claro. Como o grego Diógenes, aquele da Lanterna. Assim como outros termos (“prudência”, por exemplo), a palavra cinismo foi ganhando, ao longo dos séculos, um contorno oposto. De uma postura libertária, provocativa, contestadora, iconoclasta, foi aos poucos se tornando isso o que está aí – uma palavra em sintonia com as práticas cotidianas da burguesia. Ligada a um fingimento – mas um fingimento conservador, quase violento. Continuar lendo

Placar do impeachment no Senado: R$ 876 milhões x R$ 35 milhões

Essas são, respectivamente, as somas dos bens declarados pelos 61 senadores que votaram pela queda de Dilma Rousseff e pelos 20 que foram contrários

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Quanto possui cada um dos 81 senadores que decidiram o destino de Dilma Rousseff, neste dia 31 de agosto? Difícil saber ao certo, pois muitos deles declararam bens, pela última vez, em 2010. A maioria o fez em 2014. Com base na última declaração entregue à Justiça Eleitoral, fiz o levantamento a partir de cada um dos blocos: o do “sim” e o do “não”.

Vejamos primeiro aqueles que votaram pelo impeachment:

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O total é de R$ 875.847.188,51. Arredondando, R$ 876 milhões. A média é de R$ 14,3 milhões por senador. Continuar lendo

As 70 milhões de crianças que vão morrer e o recall das cômodas assassinas

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Relatório do Unicef diz ainda que 750 milhões de mulheres se casarão ainda crianças, até 2030; notícia sobre cômodas assassinas ganhou quase o mesmo espaço

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Li as duas notícias ao lado uma da outra, na home do UOL. 1) “70 milhões de crianças morrerão até 2030 se o mundo não agir, diz Unicef“. Antes de completarem 5 anos. 2) “Gigante de móveis Ikea fará recall de 29 milhões de cômodas após mortes“. (Mortes de crianças. Pelo menos seis crianças morreram desde 1989.)

E fiz a conexão singela entre elas: em que momento faremos um recall desse sistema?

As cômodas estão caindo. Elas vão cair. O sistema que permite 70 milhões de mortes de crianças e é naturalizado diariamente pelos meios de comunicação… precisa mudar. E esta não é apenas uma questão revolucionária. Pode ser uma questão para quem tem formação religiosa (mais ou menos conservadora), ou em direitos humanos – direitos humanos nasceram no capitalismo, não são coisa de comunista.

Para quem tenha compaixão. Algum código de princípios. Pois boa parte desses milhões de crianças vai morrer. Fora as que têm mais de 5 anos. Quantas, exatamente? Quantas ainda podem ser salvas? (E que editorial de jornal está tratando deste tema, hoje?) Continuar lendo

Elite paulista escarnece do povo de rua ao exibir cobertores abandonados

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Leitura cínica de decreto do prefeito (que proíbe apreensão) e bandeirantismo midiático visam compor imagem de moradores de rua como “feios, sujos e ingratos”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O antropólogo José Ribamar Bessa Freire cunhou no fim de semana a expressão “agrobandeirantes“, em referência à matança de indígenas no Mato Grosso do Sul. Dos excluídos do campo aos excluídos da cidade, temos em São Paulo a matança – real e simbólica – de pessoas em situação de rua. Centenas deles morrem por ano. E, para completar, ainda são vítimas de mortes simbólicas, de assassinatos de reputação. Para esta tarefa existem os bandeirantes midiáticos.

Como definir de outra forma a capa do Estadão de hoje? Ao fundo, o Pátio do Colégio. Em primeiro plano, cobertores. “Cobertores abandonados”, diz o jornal. “Após fim de semana de doações para moradores de rua”. Continuar lendo

Golpe de 2016 se afirma também como um golpe ruralista

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Assim como em 1964, combate à reforma agrária ganha centralidade na chegada direta das oligarquias ao poder; não à toa, medidas de Temer alegram agronegócio

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro)*

O filme brasileiro com a premiação mais badalada da história, “O Pagador de Promessas” (1962) é um belo exemplo de como a reforma agrária era apresentada, nos anos 60, como um bicho de sete cabeças. Como se fosse algo comunista – e não algo do próprio capitalismo. Resultado: foi um dos principais motivos para a derrubada de João Goulart, em 1964. O que mudou de lá para cá? Troquemos a palavra “latifundiários” por “agronegócio” e teremos uma das chaves para entender o golpe de 2016.

O golpe de 2016 é também um golpe ruralista. Continuar lendo

Sérgio Machado e Romero Jucá: diálogo entre um fazendeiro e um minerador

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Representante exemplar de uma elite arcaica (Foto: Geraldo Magela/ Ag. Câmara)

Pivôs da crise têm atividades tão pouco republicanas quanto suas conversas; ex-diretor tem fazenda questionada pelo MST; ex-ministro é um conflito de interesses ambulante

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro*)

No dia 18, quarta-feira, 2 mil famílias de sem-terra que ocupavam desde março a fazenda Santa Maria, no oeste do Paraná, foram expulsas pela polícia do governador Beto Richa, a mando do Judiciário. Um dos donos da fazenda, ao lado dos irmãos? Sérgio Machado, ele mesmo, o ex-presidente da Transpetro – agora famoso por causa das conversas pouco republicanas com o senador Romero Jucá (PMDB-RR). “Homens, mulheres, crianças e até um cadeirante foram expulsos com extrema violência para garantir uma propriedade adquirida com dinheiro oriundo da corrupção”, resume o jornalista Aluizio Palmar.

Do outro lado do Brasil, Jucá. Dono de TV (em nome dos filhos), minerador. Entre outras cositas más. “Em 1987, em plena epidemia de malária e gripe, trazida pela invasão de garimpeiros, o então presidente da Funai, Romero Jucá, alegando razões de segurança nacional, retira as equipes de saúde da área Yanomami”. É um trecho do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Resultado? Aumento de 500% dos casos de malária. “Mais de 4 mil yanomamis morreram de malária, tuberculose, de assassinato”, resume o líder indígena David Kopenawa.

Avancemos no relatório:

– O caso mais flagrante de apoio do poder público à invasão garimpeira se deu na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, na região do Paapiu/Couto de Magalhães, onde o garimpo se iniciou a partir da ampliação de uma antiga pista de pouso pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara), em 1986. A Funai e os demais agentes públicos abandonaram a região, deixando a área livre para a ação dos garimpeiros.
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Kátia Abreu volta ao Senado sob aplauso da base de Temer

Ministra de Dilma foi recebida com mesura pelos tucanos Aloysio Nunes e Antonio Anastasia, relator do impeachment; pais de ministros também a elogiaram

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro*)

De volta ao senado, após 1 ano e quatro meses, Kátia Abreu (PMDB-TO) ganhou nesta semana fartos elogios de senadores que votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Aloysio Nunes (PSDB-SP), produtor de látex em São Paulo, disse que teve seus pleitos atendidos por ela. Garibaldi Alves (PMDB-RN), Fernando Bezerra (PSB-PE), Ana Amélia (PP-RS), Waldemir Moka (PMDB-RS) e o relator do processo de impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), participaram do beija-mão.

Bezerra e Alves são pais de deputados que foram nomeados ministros pelo interino Michel Temer: Fernando Filho, da Integração Nacional, e Henrique Eduardo Alves, do Turismo. Valdir Raupp (PMDB-RO) disse que ela foi uma ministra “completa”. “Todas as regiões estão satisfeitas. Blairo Maggi assume um ministério redondo”, afirmou. “Vossa Excelência revolucionou aquela pasta”, arriscou Anastasia. Continuar lendo

Aviso aos navegantes: Marco Antonio Villa não é o dono da Jovem Pan

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Trote do prefeito Fernando Haddad no historiador panfletário anima quem conhece poder de manipulação da rádio; mas ninguém menciona os nomes de que manda

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Em poucas palavras: o historiador Marco Antonio Villa é um subordinado. Perfeitamente substituível. Indefensável como jornalista, diante do caráter panfletário de suas análises. O trote que levou do prefeito Fernando Haddad (que divulgou a agenda de Alckmin como se fosse dele, para que Villa a atacasse) mostra que ele atira – verbalmente – no que vem pela frente. Desde que tenha relação com o PT, Haddad, Dilma, Lula. Mas quem disse que é ele quem manda na rádio?

A esquerda brasileira anda distraída em relação aos patrões. Particularmente em relação aos donos dos meios de comunicação. Esses que escolhem os Villas e as Sheherazades, os Waacks e Mervais. Estes obtêm os cargos e espaços que têm porque dizem exatamente o que os patrões gostariam de dizer. Mas deveriam ser os principais alvos de quem critica essa mídia parcial e abjeta? Não. E sim quem está acima deles. Esses estão rindo de tudo. Continuar lendo

Sete dos 23 ministros de Temer possuem ou controlam rádio e TV

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Romero Jucá e Renan Calheiros: coronelismo eletrônico (Foto: Pedro França/ Agência Senado)

Golpe jurídico-midiático foi feito também por políticos com concessão; Jucá, Mendonça e Coelho têm parentes no comando; Barbalho, Alves, Barros e Sarney Filho são donos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Helder Barbalho é o novo ministro da Integração Nacional e dono de TVs no Pará, retransmissoras da Band. Sarney Filho, dono da TV Mirante, no Maranhão, afiliada da Globo, volta a ser ministro do Meio Ambiente. É também para retransmitir imagens globais que Henrique Eduardo Alves retorna à Esplanada dos Ministérios, agora na pasta do Turismo. Ricardo Barros, nomeado por Michel Temer como ministro da Saúde, possui a Rádio Jornal de Maringá, no Paraná.

Eles não são os únicos políticos a controlar rádios e TVs – prática contestada por dez entre dez especialistas em direito à comunicação e, mais recentemente, pelo Ministério Público Federal, que pretende cassar as concessões de congressistas. Outros três ministros do presidente interino têm rádios e TVs em nome de parentes. São eles: o eterno Romero Jucá, do Planejamento/ e os oligarcas Mendonça Filho, da Educação (e da Cultura), e Fernando Coelho, das Minas e Energia. Continuar lendo