Homofobia: o que explica a sucessão de casos recentes de violência em SP?

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São Paulo, São José dos Campos e São Vicente tiveram espancamentos em fevereiro; Itanhaém, um assassinato; um dos casos sugere existência de subnotificação policial

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Ao reunir alguns casos recentes de violência homofóbica pelo Brasil, ocorridos no mês de fevereiro, observei que quase todos tinham acontecido em São Paulo: capital, interior e litoral. Terá sido só coincidência? Por causa da repercussão específica desses episódios, em meio a tantos outros que acontecem pelo estado e pelo país? Ou um pouco de tudo? Em qualquer hipótese, o número de casos mostra a extensão do problema no estado. Com vários casos de espancamento e um homicídio.

Vejamos.

1) Capital. Foi no sábado de carnaval, relatado aqui mesmo, junto com um caso ocorrido no Rio: “Dois casos de violência homofóbica, na mesma noite: em Ipanema e na Vila Madalena“. Em São Paulo, o estudante Vinícius Almeida, de 21 anos, ganhara naquele dia uma bolsa pra estudar a homossexualidade. Ao dar informação a dois jovens, escutou: “Vamos agredir o viadinho”. Foi espancado. Achou que fosse morrer. Continuar lendo

Dois casos de violência homofóbica, na mesma noite: em Ipanema e na Vila Madalena

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Vinicius caminhava em SP quando foi agredido por dois homens (Reprodução/Facebook)

Era a madrugada do sábado de carnaval quando o estudante Vinicius foi espancado em SP; o biólogo Eduardo, no Rio; sem discussão, por grupos de agressores

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Dois casos idênticos. Um, no Rio. Em Ipanema. Outro, em São Paulo. Na Vila Madalena. Ambos no sábado de carnaval.

No Rio, o biólogo Eduardo Xavier estava sentado na Praia de Ipanema, “abraçado a um menino”. Tinha pulado carnaval com amigos, em um bloco no bairro de Botafogo.

Em São Paulo, o estudante de Geografia Vinicius Almeida soube na sexta-feira que conseguira uma bolsa de intercâmbio para estudar a homossexualidade.

Já era a madrugada do sábado, dia 7, quando Eduardo e o amigo foram surpreendidos com provocações e chutes na cabeça. Eram cerca de cinco agressores.

Vinicius deu informação a dois jovens quando se virou para continuar andando. Também já era madrugada na Vila Madalena. Um convidou o outro a “agredir o viadinho”. Continuar lendo

2015 – Homofobia ainda mata, persegue, apedreja e espanca

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Beijo em novela ainda gera repulsa em certos setores da sociedade; outros homofóbicos, movidos pelo mesmo ódio, atiram e apedrejam até a morte

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Ela foi ameaçada de morte, em junho, por representar numa crucificação a violência contra homossexuais e transexuais. A imagem tolerada em outras situações, como uma capa de revista com o jogador Neymar crucificado, não foi admitida por um setor obscurantista e violento da sociedade brasileira. Em entrevista a O Dia, Viviany Beleboni lembrou que “cruz não tem patente”:

16/06 (São Paulo): ‘A cruz não tem patente de ninguém’, diz atriz ‘crucificada’ na Parada LGBT

Agredida por um morador de rua, ela não quis ir à delegacia – onde seria tratada como um homem. “Sabe o que eu vou ter que fazer? Ficar trancada dentro de casa. É isso que esses religiosos, esses fanáticos, querem“. Continuar lendo