Konder Comparato: Sérgio Moro, “o major Vidigal”, será o próximo presidente

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Salão Nobre da USP-Direito lotado (Foto: Helio Carlos Mello/ Jornalistas Livres)

“infelizmente”, completou o professor emérito da USP-Direito, em ato pela legalidade e democracia; isto a se continuar o atual “desprezo pela política e pelas instituições”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Um homem foi aplaudido de pé por um Salão Nobre lotado, ontem à noite, na Faculdade de Direito da USP: o professor emérito Fábio Konder Comparato, 79 anos. Um nome, vaiado: o do juiz Sérgio Moro, 43. Este foi comparado pelo jurista com o Major Vidigal, personagem central de “Memórias de um Sargento de Milícias” (1854), de Manuel Antônio de Almeida. “Infelizmente, se continuar esse desprezo pela política e pelas instituições, será ele o próximo presidente”, afirmou Comparato, pessimista em relação ao futuro imediato do país. “Os partidos de oposição já devem tê-lo convidado, e será difícil ele resistir”.

Ele acabara de mencionar o Major Vidigal – um chefe de polícia – como símbolo de autoritarismo, ao abrir o Ato de Juristas pela Legalidade e pela Democracia. No clássico de Almeida, três senhoras vão à casa do major para pedir sua condescendência em relação ao deslize de um soldado. Vidigal alega que existe uma lei, não pode fazer nada. Uma delas retruca: “Ora a lei, a lei é o que senhor major quiser”. O escritor conta que o major “sorriu-se com cândida inocência”. Continuar lendo

Reportagem do Fantástico sobre Incra está correta; mas falta mais reforma agrária

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S. Antônio do Matupi: vilarejo em Manicoré (AM) deveria ser assentamento (Foto: Alceu Castilho)

Globo não errou na reportagem sobre desvio de lotes destinados a assentados; só que precisa fazer o mesmo em relação à grilagem; MST e FPA disputam o discurso

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Fantástico exibiu no domingo uma reportagem sobre utilização indevida de assentamentos do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Em determinado momento, o chefe de gabinete do órgão nega ao repórter que o Incra seja “uma bagunça”. Quase isso. De fato, o órgão não tem controle sobre as terras no país – seja\m elas assentamentos, sejam propriedades rurais. Mas é preciso tomar cuidado para não jogar fora o bebê junto com a bacia. Precisamos de mais reforma agrária, não menos.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) emitiram notas com propósitos distintos em relação à reportagem. O MST reconhece os desvios e quer que a Controladoria-Geral da União (CGU) faça outras investigações, não somente em assentamentos. A FPA, expressão institucional da bancada ruralista, defende os interesses dos grandes proprietários, no contexto de uma CPI que investiga o Incra e a Funai – que visa paralisar ainda mais as demarcações de terras indígenas e a reforma agrária. Continuar lendo