Geraldo Alckmin afirma SP como vanguarda da repressão

jornalistaslivres-linamartinelli

Trabalhadores sem-teto tentam resistir aos jatos d’água (Foto: Lina Marinelli/Jornalistas Livres)

Invasões da polícia sem mandados judiciais; repressões seletivas a manifestações, conforme a orientação política; “golpe do pato” tem sua face bandeirante

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Dizem que não é golpe porque a tomada do poder sem voto não teve força bruta. O que já seria uma falácia. Mas o que está acontecendo em São Paulo mostra que o golpe do pato – esse que levou Michel Temer ao poder – possui, sim, um braço armado. Ao reprimir protestos de modo seletivo, a Polícia Militar paulista está se afirmando como polícia política. Ao permitir invasões disfarçadas de “reintegração de posse”, o governo estadual patrocina um Estado de exceção.

Os últimos minutos do domingo, 22 de maio, e o início desta segunda-feira podem ser considerados o símbolo desse avanço repressor, ao escancará-lo. Manifestantes contra o governo Temer não puderam ficar acampados em uma praça próxima da casa do interino, no Alto de Pinheiros – bairro rico da capital. Mesmo após negociação feita anteriormente para que trocassem o local. Eles foram expulsos pela polícia com jatos d’água e bombas: bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo. Continuar lendo

Quantas pessoas foram feridas pela polícia de SP nas manifestações de 2016?

julianovieira

Juliano Vieira, da TV Drone, jornalista ferido na manifestação de 22/01 em SP (Foto: TV Drone)

É preciso quantificar as agressões policiais durante os protestos; investigar os responsáveis e denunciar internacionalmente esses atentados à democracia

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

É preciso registrar. Quantificar. Quantas pessoas foram feridas pela polícia paulista nos protestos democráticos pela redução das tarifas de transporte? Quem vai reunir essas informações? Advogados ativistas? O MPL? O Ministério Público?

Não se trata de naturalizar a violência policial. Muito pelo contrário. E sim de respeitar cada vítima. E de utilizar os dados como instrumento para denunciar o Estado como violador de direitos humanos elementares.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já está fazendo algo parecido com os jornalistas. No protesto de quinta-feira sete jornalistas foram atacados pela polícia do governador Geraldo Alckmin. No ano, 21. Pelo menos um deles foi ferido. Ontem. É Juliano Vieira, da TV Drone, internado com queimaduras de segundo grau. Continuar lendo

Polícia irritadinha de Alckmin disfarça objetivos eleitorais e planificadores

podedesceraconsolação

Garantia de paz durante protesto em SP, segundos antes das bombas (Reprodução/ TV Drone)

Comportamento irracional de PMs está a serviço de um projeto para 2018; governador quer ser terceira via para setor mais conservador e intolerante da sociedade

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

São Paulo tem uma polícia irritadinha. Estourada. Suscetível, cheia de quereres. “Eu não quero, eu não quero, eu não quero que a manifestação seja por ali, tá?” Uma polícia com profissionais impulsivos, vingativos. Comandantes traiçoeiros, que prometem paz enquanto a alguns metros outros estouram bombas. Uma antítese do que deveria ser uma polícia, portanto. Antropoformizada, alienista radical – somente ela é que está certa. Sob o argumento de proteger a população, que se cubra ela de porradas, que se ameace sua vida. Paradoxal.

Mas toda essa característica temperamental da Polícia Militar do Estado de São Paulo esconde cada vez mais um movimento inverso – frio e eleitoreiro – do governador do Estado de São Paulo. Sujeito apenas a punições etéreas (alguma condenação do Brasil na Corte Interamericana dos Direitos Humanos, em um futuro distante), ele se vê no direito de usar a tradição truculenta da corporação e a formação precária dos PMs para seus objetivos mesquinhos. O Caldeirão de Hamburgo – o cerco covarde a manifestantes – desafia a democracia, mas dá votos. A irracionalidade é aparente. Continuar lendo

O “uniforme para imprensa” da polícia de SP e o “BBB dos jornalistas” no Rio

imprensa

Estamos em guerra? (Foto: PSTU)

O que é pior? Jornalistas confinados na casa do Big Brother Brasil, no Rio, ou aceitando aparatos de segurança oferecidos pela PM paulista?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O que acontece com o jornalismo brasileiro? No Rio, repórteres participaram efusivamente de uma edição do Big Brother Brasil. Mais que cobrirem o entretenimento, tornam-se eles mesmos o entretenimento. Em São Paulo, representantes de diversos veículos não se acanham em aceitar um certo “uniforme de imprensa” para cobrir manifestações, oferecido pela polícia paulista.

E o troféu de aberração jornalística vai para… os repórteres paulistas. Pois eles estão entrando na notícia tanto quanto os saltitantes críticos de televisão – ainda que não tenham se dado conta disso. Do reality show ao espetáculo do espancamento. Continuar lendo

Protagonistas contra ditadura de 64 se calam diante da repressão atual em SP

ditadura

Reação da sociedade civil está tímida à violência do governo estadual contra o livre direito à manifestação; país perde sua memória e as referências sobre resistência

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Onde está a OAB? A Fenaj? A Igreja? Onde estão os sindicatos? E as lideranças que protagonizaram a luta contra a ditadura? De Lula a FHC, de Dilma Rousseff a José Serra? Acadêmicos, intelectuais? Por que se calam? O que mais a PM de São Paulo precisa fazer para motivar uma nota institucional, a organização de atos, uma fala contundente contra a repressão à livre manifestação, contra as agressões a pessoas que se manifestavam ou simplesmente estavam na rua, em São Paulo, nesta terça-feira?

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo informa que nove repórteres ficaram feridos em ação na Avenida Paulista. Isso não basta para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se pronunciar? O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, decisivo na luta pela redemocratização, informou ontem que vai enviar uma nota de protesto ao Governo do Estado, exigindo o fim da violência contra manifestantes e jornalistas. Será suficiente? Continuar lendo

Dezenas de vídeos registram a ação ditatorial da PM paulista

Vídeos com abuso policial na manifestação contra tarifas de ônibus em São Paulo podem ajudar a motivar uma investigação internacional; Estado precisa ser denunciado

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O início da repressão policial desta terça-feira, em São Paulo, foi registrado de diversos ângulos. O jornalista Caio Castor estava no meio da multidão e registrou o início dos ataques, na Avenida Paulista. Thomaz Pedro, também. Helena Wolfenson e o coletivo Território Livre registraram tudo de cima. As imagens (como essas no vídeo do YouTube, acima) são impressionantes: a Praça dos Ciclistas virou praça de guerra.

Agressões pelas costas e uma covardia policial generalizada estão registradas em uma coleção de imagens reunidas pelo PSTU. E não tinha por onde escapar. Quem entrou no Instituto Cervantes, na Avenida Paulista, também foi atingido, como mostra gravação da repórter Laura Capriglione para os Jornalistas Livres. Alguns estavam feridos por balas de borracha. Continuar lendo

Repressão histórica da PM em São Paulo tem centenas de testemunhos

ruasergipe-porjoséeduardobernardes

Manifestante encurralado na Rua Sergipe (Foto no perfil de José Eduardo Bernardes/ Facebook)

Estes são alguns relatos iniciais de um dia de ditadura na maior cidade do Brasil; que se instale imediatamente uma Comissão da Verdade para apurar a violência estatal

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

“Neste momento, dezenas de bombas atiradas contra as pessoas, qualquer uma, manifestante, usuário de transporte, idoso, criança, ou quem quer que seja. o cenário é de guerra, pessoas feridas e presas, muita fumaça e desencontros. Estamos encurralados”. (Igor Carvalho, no Facebook)

“Estou na Paulista acabo de presenciar um massacre pela PM, muitas bombas e truculência. Estamos em meio a uma guerra! Com muitos me refugiei em uma loja asfixiados pelas bombas na porta. Só saímos pressionados e insultados pela PM, cercados de todos os lados! Liberdade de manifestação não existe em SP, foi suprimida pela Força e pelas bombas, fui alvo de várias, não há diálogo possível, tentamos tudo! Depois do Caldeirão de Hamburgo, a PM agora promove uma caçada dos manifestantes pelas ruas da cidade, os seguranças do metrô impedem a entrada, todas as ruas cercadas, manifestantes perseguidos e caçados com furor!” (Padre Julio Lancelotti, no Facebook)
Continuar lendo

2015 – Em SP, Minas, Rio, Pará, Ceará, Piauí e Bahia, tortura

Escola da Aeronáutica para jovens entre 14 e 19 anos defende choque elétrico na língua; em Salvador, PM tortura idoso; em Fortaleza, vítimas são adolescentes

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Brasil ainda é o país da tortura. Que alguns insistem em associar apenas ao período da ditadura. A maioria das notícias de 2015 se refere à ação de policiais militares.

Em Salvador, a vítima foi um idoso:

27/08 (Salvador): Sessão de tortura de um idoso expõe brutalidade policial em Salvador

Em Fortaleza, adolescentes:

19/08 (Fortaleza): Batalhão de Choque da Polícia Militar é acusado de espancar e torturar adolescentes no Centro Socioeducativo Passaré Continuar lendo

2015 – Rio teve apartheid na zona sul e execução de crianças

Cidade que recebe a Olimpíada teve um ano para se esquecer em termos de violência policial; crianças foram executadas; adolescentes pobres, revistados e ofendidos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Rio de Janeiro continua violento. E é um dos símbolos da barbárie policial no Brasil, o país das mortes em “tiroteios”. Ou das execuções. De negros, descendentes de indígenas, pobres. E de crianças e adolescentes. Como Eduardo de Jesus, em abril. Herinaldo Santana e Cristan Andrade, em setembro. Eles tinham 10, 11 e 13 anos:

10/04 (Rio): Menino de 10 anos é morto no Alemão; moradores acusam policial
10/04 (Rio): Moradores do Complexo do Alemão relatam abusos e violações de policiais
23/09 (Rio): Morre criança baleada por PM em favela do Caju
08/09 (Rio): ‘Rapaz estudioso e bom’, diz tio sobre morto em tiroteio em Manguinhos Continuar lendo

2015 – Multiplicam-se os vídeos que flagram abusos de PMs

Registros audiovisuais de violência poderiam significar freio na ação de policiais; na prática a banalização tem sido regra, das redes sociais à grande imprensa

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A naturalização da violência policial no Brasil deveria ter nos flagrantes audiovisuais uma força contrária. Mas não há muitos indicativos de que isso esteja acontecendo. Cada vez mais há casos registrados em vídeos. Com toda sorte de flagrante de abusos, despreparo e trapalhadas de PMs. Os portais de notícias já reproduzem essas gravações com certo robotismo, como se fossem cenas de entretenimento.

Alguns motivam títulos idênticos e que cumprem certa função de naturalizar os abusos. Vejam que, segundo os jornais, os policiais aparecem agredindo “durante abordagem” – como se esta significasse uma senha para matar:

16/02 (São Paulo): Vídeo mostra PMs agredindo pessoas durante abordagem em SP
03/09 (Porto Alegre): Homem é agredido por PM durante abordagem em Porto Alegre
26/05 (Luziânia, GO): Vídeo flagra PM de Goiás agredindo motociclista durante abordagem
18/10 (Piumhí, MG): Policiais são filmados agredindo suspeitos rendidos durante abordagem Continuar lendo