Geraldo Alckmin afirma SP como vanguarda da repressão

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Trabalhadores sem-teto tentam resistir aos jatos d’água (Foto: Lina Marinelli/Jornalistas Livres)

Invasões da polícia sem mandados judiciais; repressões seletivas a manifestações, conforme a orientação política; “golpe do pato” tem sua face bandeirante

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Dizem que não é golpe porque a tomada do poder sem voto não teve força bruta. O que já seria uma falácia. Mas o que está acontecendo em São Paulo mostra que o golpe do pato – esse que levou Michel Temer ao poder – possui, sim, um braço armado. Ao reprimir protestos de modo seletivo, a Polícia Militar paulista está se afirmando como polícia política. Ao permitir invasões disfarçadas de “reintegração de posse”, o governo estadual patrocina um Estado de exceção.

Os últimos minutos do domingo, 22 de maio, e o início desta segunda-feira podem ser considerados o símbolo desse avanço repressor, ao escancará-lo. Manifestantes contra o governo Temer não puderam ficar acampados em uma praça próxima da casa do interino, no Alto de Pinheiros – bairro rico da capital. Mesmo após negociação feita anteriormente para que trocassem o local. Eles foram expulsos pela polícia com jatos d’água e bombas: bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo. Continuar lendo

Argeplan, beneficiada em Angra 3, é dona da fazenda “de Temer”, ocupada pelo MST

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Fazenda Esmeralda: 1.500 hectares em Duartina, SP (Foto: Mídia Ninja)

Folha conta discretamente que a dona do imóvel onde vice recebe correspondência foi acusada na Lava-Jato de ganhar obra de R$ 162 milhões na usina ‘a mando de Temer’

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A informação está no último parágrafo de texto desta terça-feira, da Folha, sobre a ligação entre Michel Temer e João Baptista Lima Filho, dono da Argeplan Arquitetura e Engenharia:

– Em abril, reportagem da revista “Época” revelou que um engenheiro da Engevix, José Antunes Sobrinho, disse aos investigadores da Lava Jato que a Argeplan ganhou uma obra de R$ 162 milhões na usina de Angra 3 por influência de Temer, e subcontratou a Engevix para dar conta do trabalho.

A Argeplan é uma das donas da fazenda Esmeralda, ocupada ontem pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. O MST achou no local uma correspondência endereçada a Temer. O movimento diz que ele é o verdadeiro dono. Lima seria um laranja. Continuar lendo

Sobre a carta de Michel Temer para Michel Temer

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“Os jornais são iguais”. Cena clássica do filme Aprile, de Nanni Moretti (1998)

“E se pretende que o Brasil seja todo ele Michel Temer, enrolado em um grande jornal com a estampa de Michel Temer, como se Michel Temer fosse mais que Michel Temer”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Michel Temer escreve uma carta para Michel Temer. Com fartas considerações sobre Michel Temer e sua relação conturbada com Michel Temer. Jornalistas que têm Michel Temer como fonte publicam a carta com Michel Temer. E se pretende que o Brasil – seus 200 milhões de habitantes, sua presidente, o vidro de palmito que não conseguimos abrir e a lama que demora a dispersar – seja todo ele Michel Temer, enrolado em um grande jornal com a estampa de Michel Temer, nestes curiosos tempos onde personagens menores chegam ao posto maior de suas alçadas (o posto de Michel Temer) e promovem o micheltemercentrismo de Michel Temer, como se este fosse algo mais que Michel Temer. Autoevasão de privacidade pública, típica do überpatrimonialismo de Michel Temer.

Enquanto isso se desenrola um Brasil mais denso. Prefiro ler cartas de lideranças indígenas – poéticas e dolorosamente autênticas.

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