Luceno, de 14 anos, está desaparecido na floresta; quem contará a história de Luceno?

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Terra Indígena Tenharim Marmelos, no sul do Amazonas (Foto: Alceu Castilho)

Adolescente Tenharim está perdido na Terra Indígena; história está diretamente relacionada às tragédias ocorridas há dois anos, no sul do Amazonas

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Luceno tem 14 anos. Está desaparecido na floresta amazônica desde o dia 9 de janeiro. Há 25 dias. Seus parentes, da etnia Tenharim, têm feito buscas pela mata densa. Ele sumiu logo após uma pescaria. Oitenta homens de todas as aldeias da região se mobilizaram para fazer um pente fino na Terra Indígena Tenharim, em Manicoré, no sul do Amazonas. Missão difícil: trata-se de floresta primária, densa. Luceno tem leve problema mental.

Foram encontrados sinais de vida: um chinelo, a cama de palha onde ele teria dormido. Os homens têm apoio da Funai e de amigos, que fornecem o combustível – para navegação no Rio Marmelos – e alimentação. A busca é feita com sol ou com chuva – a chuva da floresta equatorial. Por um período curto, o Exército também deu apoio. Foram percorridas centenas de quilômetros. Até agora a varredura não surtiu efeito. Os parentes não desistem. Continuar lendo

Reportagem do Fantástico sobre Incra está correta; mas falta mais reforma agrária

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S. Antônio do Matupi: vilarejo em Manicoré (AM) deveria ser assentamento (Foto: Alceu Castilho)

Globo não errou na reportagem sobre desvio de lotes destinados a assentados; só que precisa fazer o mesmo em relação à grilagem; MST e FPA disputam o discurso

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Fantástico exibiu no domingo uma reportagem sobre utilização indevida de assentamentos do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Em determinado momento, o chefe de gabinete do órgão nega ao repórter que o Incra seja “uma bagunça”. Quase isso. De fato, o órgão não tem controle sobre as terras no país – seja\m elas assentamentos, sejam propriedades rurais. Mas é preciso tomar cuidado para não jogar fora o bebê junto com a bacia. Precisamos de mais reforma agrária, não menos.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) emitiram notas com propósitos distintos em relação à reportagem. O MST reconhece os desvios e quer que a Controladoria-Geral da União (CGU) faça outras investigações, não somente em assentamentos. A FPA, expressão institucional da bancada ruralista, defende os interesses dos grandes proprietários, no contexto de uma CPI que investiga o Incra e a Funai – que visa paralisar ainda mais as demarcações de terras indígenas e a reforma agrária. Continuar lendo