Pergunta à Frente Parlamentar da Agropecuária: quem manda na bancada?

fpa-hummel2

Michel Temer e ministros já participaram das reuniões-almoço, numa mansão em Brasília; mas repórteres foram expulsos pelo diretor executivo por fazer perguntas

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

As reuniões-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária ocorrem há vários anos numa mansão no Lago Sul, em Brasília. Costumam ser fartamente divulgadas pela bancada ruralista, com menção a veículos de imprensa e jornalistas. A imprensa alternativa sempre se perguntou: quem banca esses almoços, dos quais já participaram vários ministros (entre eles o da Agricultura, Blairo Maggi) e o próprio presidente da República, Michel Temer?

Na terça-feira (29/11), mistério resolvido: um homem se apresentou como dono da casa. Sem que houvesse acontecido nada – a não ser entrevistas jornalísticas com dois deputados -, sem pedido prévio, ele se julgou no direito de pegar um repórter pelo braço (este editor do De Olho nos Ruralistas, um observatório sobre agronegócio no Brasil), com força, e empurrá-lo em direção à saída, aos berros: “Saia já desta casa! Você invadiu minha casa! Se não sair vou chamar a polícia”. Continuar lendo

Ameaças contra Sakamoto são um alerta para jornalistas de todo o Brasil

sakamoto

O jornalista na ONU, em 2015, falando sobre trabalho escravo (Foto: ONU/Divulgação)

Blogueiro do UOL e líder da ONG Repórter Brasil não é uma vítima isolada entre jornalistas; mas pode ser símbolo de um movimento necessário pela democracia

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Leonardo Sakamoto costuma encarar as violências verbais de seus leitores com uma dose de humor. Desta vez está sendo impossível. Após ter um texto sobre aposentados distorcido em um arremedo de jornal mineiro, está sofrendo ameaças de morte. “A situação tem piorado bastante”, escreveu, nesta quarta-feira. Os difusores de ódio querem vingança. Não por causa da mentira que foi propagada por pseudoprofissionais. Mas por sua defesa sistemática dos direitos humanos.

O caso diz respeito a todos os jornalistas do Brasil. A categoria está sendo economicamente massacrada. Atordoada, sem rumo definido. Precisa, porém, achar forças para sair ao menos das cordas do fascismo. A redefinição dos rumos profissionais, neste novo mundo sem carteira assinada, precisa ser acompanhada pela reafirmação de seu papel na garantia dos direitos humanos fundamentais. E é por isso que o caso Sakamoto se torna um símbolo. Continuar lendo