Pergunta à Frente Parlamentar da Agropecuária: quem manda na bancada?

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Michel Temer e ministros já participaram das reuniões-almoço, numa mansão em Brasília; mas repórteres foram expulsos pelo diretor executivo por fazer perguntas

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

As reuniões-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária ocorrem há vários anos numa mansão no Lago Sul, em Brasília. Costumam ser fartamente divulgadas pela bancada ruralista, com menção a veículos de imprensa e jornalistas. A imprensa alternativa sempre se perguntou: quem banca esses almoços, dos quais já participaram vários ministros (entre eles o da Agricultura, Blairo Maggi) e o próprio presidente da República, Michel Temer?

Na terça-feira (29/11), mistério resolvido: um homem se apresentou como dono da casa. Sem que houvesse acontecido nada – a não ser entrevistas jornalísticas com dois deputados -, sem pedido prévio, ele se julgou no direito de pegar um repórter pelo braço (este editor do De Olho nos Ruralistas, um observatório sobre agronegócio no Brasil), com força, e empurrá-lo em direção à saída, aos berros: “Saia já desta casa! Você invadiu minha casa! Se não sair vou chamar a polícia”. Continuar lendo

Reportagem do Fantástico sobre Incra está correta; mas falta mais reforma agrária

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S. Antônio do Matupi: vilarejo em Manicoré (AM) deveria ser assentamento (Foto: Alceu Castilho)

Globo não errou na reportagem sobre desvio de lotes destinados a assentados; só que precisa fazer o mesmo em relação à grilagem; MST e FPA disputam o discurso

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Fantástico exibiu no domingo uma reportagem sobre utilização indevida de assentamentos do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Em determinado momento, o chefe de gabinete do órgão nega ao repórter que o Incra seja “uma bagunça”. Quase isso. De fato, o órgão não tem controle sobre as terras no país – seja\m elas assentamentos, sejam propriedades rurais. Mas é preciso tomar cuidado para não jogar fora o bebê junto com a bacia. Precisamos de mais reforma agrária, não menos.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) emitiram notas com propósitos distintos em relação à reportagem. O MST reconhece os desvios e quer que a Controladoria-Geral da União (CGU) faça outras investigações, não somente em assentamentos. A FPA, expressão institucional da bancada ruralista, defende os interesses dos grandes proprietários, no contexto de uma CPI que investiga o Incra e a Funai – que visa paralisar ainda mais as demarcações de terras indígenas e a reforma agrária. Continuar lendo