Mortos por causa da chuva? Que um jornalismo sério discuta o direito à terra

enchentes

Apresentadores com caras compungidas poderiam convencer seus chefes a pautar os temas que poderiam, nos próximos anos, ajudar a salvar outras vidas

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A matança de brasileiros pobres por soterramento e afogamento continua. E a imprensa tergiversa. Como se fosse a chuva a culpada. Tivéssemos um jornalismo sério, bem informado, comprometido com os direitos humanos elementares, estaríamos discutindo o direito à terra – na cidade e no campo. Pois é pela não efetivação desse direito que essas pessoas morreram. E outras centenas vão morrer, nos próximos anos, em São Paulo, Petrópolis ou na próxima encosta ocupada por espoliados. Não é tragédia. É massacre.

De nada adianta apresentadores da Globo fazerem caras compungidas, soltarem exclamações de falsa surpresa. Como se essas cenas não fossem previsíveis. Como se o direito de cada ser humano a um pedaço de terra não tivesse sido usurpado – como já nos ensinava Rousseau – por um punhado de espertalhões. Como se os camponeses não tivessem sido expulsos do campo, seja por pressão econômica, seja a bala, por jagunços ou policiais, em um processo histórico escandaloso de grilagem de terras. Que continua. Continuar lendo