Esquerda sem mea culpa ignora julgamento simbólico do Congresso, em SP

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IV Tribunal Tiradentes julga parlamentares nesta segunda, às 19 h, no Tucarena, mas falta apoio: forças de resistência fazem de conta que problema está apenas na direita

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

É impressionante a falta de entusiasmo diante da realização do IV Tribunal Tiradentes, nesta segunda-feira (25/09), às 19 horas, em São Paulo. O evento que, em 1983, julgou a Lei de Segurança Nacional, no ano seguinte o Colégio Eleitoral e, em 2014, a Lei de Anistia, julgará agora o Congresso.

Mas não vejo os setores de resistência abraçados à causa.

Como se todas essas trevas que vivemos não fossem diretamente obra direta de deputados e senadores. (O escroque MIchel Temer, por exemplo, presidiu a Câmara.) Continuar lendo

Os irmãos Vieira Lima são três: Geddel e Lúcio

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Afrísio Vieira Lima é personagem oculto na trama familiar, embora divida fazendas com irmãos, ocupe alto cargo na Câmara e tenha sido tesoureiro da fundação do PMDB

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Os irmãos Geddel são três: Geddel, Lúcio e Afrísio. Intriga-me o esquecimento de Afrísio nas notícias sobre a família. Fala-se até da mãe, do pai falecido, mas não do terceiro irmão. Pois bem: Afrísio Vieira Lima Filho é diretor legislativo da Câmara.

Geddel Vieira Lima virou um astro pop às avessas. Sintetiza como poucos essa geddelização da política brasileira. Com seu olhar meio assustado. É um corrupto que dá para imaginar no churrasco mais próximo, quebrando um copo, gargalhando. Continuar lendo

Política nacional se torna um grande Programa do Ratinho

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Os caçadores de impeachment. (Foto: Antonio Augusto / Câmara dos Deputados)

À evidente regressão ética e ausência de debates sérios no Congresso soma-se uma sequência inglória de aberrações estéticas; a arte política agoniza em praça pública

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Que nada disso é ético, sabemos. E já seria motivo para ficarmos pessimistas. Mas essa overdose de tremeliques expressionistas no Congresso assusta também por sua face estética; ou pela mais absoluta ausência de senso estético, de senso do ridículo na expressão verbal e gestual desses personagens sinistros. O Parlamento brasileiro está tendo seu cabelo pintado de acaju e sua face pública embebida num botox barato – e ainda nem estamos a falar de cafajestagens e traições. É a corrupção do bom gosto, o atentado à compostura mínima; a apologia da náusea; um tsunami de decadências sem a mais elementar elegância.

O inovador parlamentarismo secreto online protagonizado por esses senhores aposta tanto na eficácia do grotesco que faz qualquer personagem caricatural de Fellini parecer o mais elegante e arguto dos imortais. E assim vemos a imprensa oferecer closes ao Eduardo Cunha como se estivéssemos admirando uma Gioconda às avessas; fotos em diversos ângulos de Michel Temer como se ele tivesse mais que uma expressão no rosto e algum pensamento próprio capaz de ser detectado; a eloquência beócia de Leonardo Picciani como se fosse um misto de Shakespeare e Churchill; Marco Feliciano como galã; Paulinho da Força balbuciando algo sobre ética.

Em que momento exato a política brasileira se tornou um grande Programa do Ratinho? Continuar lendo