Amigos da terceirização de presídios são mais perigosos que Família do Norte

anisiojobim

Foto: EBC

Ao eximir agentes estatais, discurso de Temer legitima barbárie nos presídios brasileiros, que vai muito além do massacre de 60 pessoas em Manaus

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A entrada em cena do presidente Michel Temer no caso do massacre de Manaus deveria acender todos os alertas da sociedade civil. O Brasil está em risco. E não somente pela ação do crime organizado (sem colarinho branco) e de suas facções, como o PCC e a Família do Norte, que apareceram midiaticamente como protagonistas do conflito.

Mas pela confusão deliberada entre público e privado. É irônico que caiba a um presidente jurista – que já vem rasgando sistematicamente a Constituição, durante o golpe e depois do golpe – escancarar essa confusão, ao tentar eximir o Estado de sua responsabilidade direta no episódio do presídio Anísio Jobim:

– Em Manaus, o presídio era terceirizado e privatizado e, portanto, não houve uma responsabilidade objetiva, clara e definida dos agentes estatais. Continuar lendo

Caso Chico Buarque expõe os riscos da “fulanização” da política

Chico_Buarque_Carnaval-910x649

Esquerda cai nas armadilhas da direita ao eleger Sicrano ou Beltrano como os expoentes de nossa barbárie cotidiana; o escracho é despolitizado e anti-civilizatório

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A política brasileira corre o risco de se transformar num desfile de crucificados. Da direita à esquerda. De Chico Buarque ao Alvarinho, um dos agressores do músico naquela noite infame no Leblon. Do segurança violento no Metrô de São Paulo, o “gato do Metrô“, ao ex-ministro Joaquim Barbosa. De Lula a FHC. É preciso escolher. Vamos fulanizar – e colocar a cabeça do próximo Sicrano em praça pública – ou fazer um debate político sério? Quem decidirá os nomes dos próximos alvos?

Há uma agressão a estudantes no Metrô. O que é mais razoável, discutir a violência de Estado contra manifestantes, questionando o governador ou o secretário de Segurança Pública, ou rumar para a suposta façanha de derrubar um segurança bonitão – um distribuidor de bordoadas – a soldo dessa lógica, e facilmente substituível por quem realmente manda descer as borrachadas? A nossa decisão é de dar um zoom no próximo Rambo ou questionar o diretor do filme? Continuar lendo