120 mil na Praça São Pedro, diz o Fantástico. E na Avenida Paulista?

vaticano-santateresacalcutá

Globo divulgou estimativa do Vaticano sem pestanejar, como verdade absoluta; o mesmo critério não foi utilizado para informar sobre o que acontecia em São Paulo

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A canonização de Madre Tereza de Calcutá reuniu 120 mil pessoas, neste domingo, na Praça São Pedro. É o que informou o Fantástico, ontem, na Globo. Reproduzindo – como um número inquestionável – a estimativa feita pelo próprio Vaticano. Observem a foto.

E agora observem a imagem da manifestação contra o governo Temer, também ontem, na Avenida Paulista:

paulista-foratemer02

Foto: Rede Brasil Atual/ Marcia Minillo

Pergunta: quando vale a estimativa dos organizadores e quando não vale?

Qual o critério jornalístico? É visual? Ou de confiança em determinada instituição?

Se a correspondente italiana vier cobrir uma manifestação em São Paulo ela cravará a estimativa dos organizadores, sem questionar? (E sem pontuar que foi feita pelos organizadores?) Ou a estatística do Vaticano se perpetua como dogma? Continuar lendo

“Parecia petista”: na Paulista, dois casos de violência fascista

Fã de Bolsonaro decretou, antes de comandar agressão no Metrô: “Se não gritar fora Lula é petista”; no Masp, dois jovens foram agredidos por “parecerem petistas”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O vídeo acima mostra um casal de amigos sendo ameaçado e agredido por uma turba. A acusação: “Parecem petistas”. A prova: ele estava com uma bicicleta vermelha. Não foi o único caso, ontem, durante a manifestação na Avenida Paulista pela derrubada de Dilma Rousseff e contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro. No Metrô, um estudante teve de sair correndo porque não gritou “fora Lula”. “Se não gritar fora Lula é petista”, decretaram.

O vídeo fala por si só. Vejamos o relato de Klismann Matos, estudante de Geografia na USP:

Continuar lendo

Repressão histórica da PM em São Paulo tem centenas de testemunhos

ruasergipe-porjoséeduardobernardes

Manifestante encurralado na Rua Sergipe (Foto no perfil de José Eduardo Bernardes/ Facebook)

Estes são alguns relatos iniciais de um dia de ditadura na maior cidade do Brasil; que se instale imediatamente uma Comissão da Verdade para apurar a violência estatal

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

“Neste momento, dezenas de bombas atiradas contra as pessoas, qualquer uma, manifestante, usuário de transporte, idoso, criança, ou quem quer que seja. o cenário é de guerra, pessoas feridas e presas, muita fumaça e desencontros. Estamos encurralados”. (Igor Carvalho, no Facebook)

“Estou na Paulista acabo de presenciar um massacre pela PM, muitas bombas e truculência. Estamos em meio a uma guerra! Com muitos me refugiei em uma loja asfixiados pelas bombas na porta. Só saímos pressionados e insultados pela PM, cercados de todos os lados! Liberdade de manifestação não existe em SP, foi suprimida pela Força e pelas bombas, fui alvo de várias, não há diálogo possível, tentamos tudo! Depois do Caldeirão de Hamburgo, a PM agora promove uma caçada dos manifestantes pelas ruas da cidade, os seguranças do metrô impedem a entrada, todas as ruas cercadas, manifestantes perseguidos e caçados com furor!” (Padre Julio Lancelotti, no Facebook)
Continuar lendo