Aviso aos navegantes: Marco Antonio Villa não é o dono da Jovem Pan

tutinha

Trote do prefeito Fernando Haddad no historiador panfletário anima quem conhece poder de manipulação da rádio; mas ninguém menciona os nomes de que manda

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Em poucas palavras: o historiador Marco Antonio Villa é um subordinado. Perfeitamente substituível. Indefensável como jornalista, diante do caráter panfletário de suas análises. O trote que levou do prefeito Fernando Haddad (que divulgou a agenda de Alckmin como se fosse dele, para que Villa a atacasse) mostra que ele atira – verbalmente – no que vem pela frente. Desde que tenha relação com o PT, Haddad, Dilma, Lula. Mas quem disse que é ele quem manda na rádio?

A esquerda brasileira anda distraída em relação aos patrões. Particularmente em relação aos donos dos meios de comunicação. Esses que escolhem os Villas e as Sheherazades, os Waacks e Mervais. Estes obtêm os cargos e espaços que têm porque dizem exatamente o que os patrões gostariam de dizer. Mas deveriam ser os principais alvos de quem critica essa mídia parcial e abjeta? Não. E sim quem está acima deles. Esses estão rindo de tudo.

O dono da Jovem Pan chama-se Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta. Ele é filho de Paulo Machado de Carvalho, o “Marechal da Vitória”, aquele que foi dirigente político ao lado de João Havelange e dá nome ao estádio do Pacaembu. Um senhor octogenário que foi sucedido na presidência da Pan pelo filho, Tutinha, Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho. Também conhecido como Djalma Jorge. É este quem manda.

Já que não é jornalismo o que é feito no Jornal da Manhã, que se questione a concessão pública oferecida a esses senhores. Ou nos esquecemos que deveria se tratar de algo público? Em que momento foi decidido que a Jovem Pan poderia usar as ondas de rádio para abraçar um determinado grupo político e perseguir violentamente outro grupo político? Em nenhum momento. Trata-se de uma usurpação. Do jornalismo e da concessão.

Esse problema vai muito além da alçada do Marco Antonio Villa de plantão. Poderia ser outro jornalista. Poderia ser José Nêumanne. Poderia até ser alguém com mais verniz, mais categoria, fossem os donos mais sutis. De qualquer forma, é dos andares mais altos da Avenida Paulista que sai a linha editorial da Jovem Pan. Villa e os demais obedecem. Vociferam a partir de um repertório possível. São operários. Nem um pouco desequilibrados. Convenientes.

Constatar tudo isso não significa defender Haddad (ou o PT ou Lula). São mais do que bem-vindas as críticas a qualquer homem público. Considero abominável a política do prefeito em relação aos moradores de rua. Mas Villa nem ninguém na Pan se importará com isso. Essa é uma causa de esquerda, a defesa de direitos dos excluídos. Estes não serão lembrados nem para que os boquirrotos desanquem Haddad.

O que estamos cobrando é um mínimo de compostura dos donos de concessões públicas. O trote do Haddad fez sucesso porque desmascarou os dois pesos e duas medidas de gente como Tuta e Tutinha. Que seguem ganhando a blindagem de operários (ainda que bem remunerados) como Villa. Se e quando Tuta e Tutinha quiserem, será trocado. Haddad irá enfrentá-los?

E o mesmo vale para os demais jornalistas (por mais desprezíveis que sejam) e demais donos de meios de comunicação, quatrocentões ou não.

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6 ideias sobre “Aviso aos navegantes: Marco Antonio Villa não é o dono da Jovem Pan

    • Engraçado, vc critica o jornal da manhã, a Jovem Pan e o professor Villa, só que o Ministério Público acionou por improbidade foi o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Quem cometeu o erro aí, foi Haddad e não Villa, aliás o professor Villa faz um excelente trabalho como comentarista político nesse jornal da Pam!

  1. Concordo apenas parcialmente com a argumentação do texto, pois o fato de termos dificuldade em chegar às origens das questões (no caso os “donos” das mídias) em nada invalida a reação aos que eles representam, isto é, não enxergo nenhuma exclusão em princípio. Afinal ao que o texto chama de “operários” em nada se encaixa ao que conhecemos teórica e praticamente como tal. Trata-se antes de uma casta bem remunerada e instruída cujos padrão de vida e valores se assemelham muito mais aos dos seus patrões que a dos operários. Em tempo, ponto para o Haddad, sem que isto implique aprovação a sua fraca gestão em aspectos como os apontados no texto e noutros. Da mesma forma, sem dúvida, o tipo de ‘enfrentamento’ feito aos ‘operários’ de luxo, não pode a isto reduzir-se, principalmente quando no poder se teve e não se quis fazer a regulação necessária dos meios. Regulação a meu ver que pode representar avanços, mas que também não resolve a questão…isto já é outra história…

  2. 2 aspectos a lembrar:
    – os patrocinadores da rádio e do programa específico, que determinam o que o apresentador fala, e
    – a concessão deste serviço público deve estar vencida, como o de todos os outros, e deveriam ser realizadas novas licitações, conforme determina o art. 175 da Constituição Federal.

  3. O texto é bom, falta explicar melhor o ” abominável” da política de Haddad em relação a moradores de rua, pois, se verdadeiro, isso é muito grave. Creio também que mereceria uma matéria sobre os donos dos meios e não apenas sobre jornalistas que estão na linha de frente.

  4. Nunca pensei que o professor Marco Antônio Villa fosse dono da Jovem Pan. Mas devo confessar que só escuto a Jovem Pan para ouvir Marco Antônio Villa.

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