Golpe do Pato: a face absurda da cena política brasileira

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Da Fiesp à Praça da Paz, agora com os olhos abertos (Autoria desconhecida)

Fiesp criou o pato cego para protestar contra aumento de impostos; mas ele já faz parte da paisagem do golpismo; o pato é nosso ensaio sobre a cegueira política

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Quem disse que o golpe de 2016 – em plena execução – não tem um símbolo?

O papel da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) esteve claro em 1964 e está claro em 2016. Como observamos aqui no blog – sobre o fator Fiesp – e como observou o jurista Fábio Konder Comparato, em ato pela legalidade na Faculdade de Direito da USP. Falta ainda esmiuçar o papel do pato: o símbolo utilizado pela entidade patronal nos protestos na Avenida Paulista. Como em tantos outros casos, o humor se adianta à análise política. E percebe que se trata de um símbolo e tanto. Estamos vivendo o desenrolar do que podemos chamar de um Golpe do Pato.

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Mas o que representa o pato cego da Fiesp, afinal? Originalmente, uma campanha contra o aumento de impostos, mais especificamente a volta da CPMF. Desde o ano passado ele foi incorporado às manifestações antigoverno. Não é exatamente fofo, com esse olho cego que pode ser lido de várias formas (esse “pato falho”), nenhuma delas registrando alguma qualidade estética. É amarelo, é inflável. Rima com 64. E já se tornou o símbolo da movimentação golpista. O pato é nosso ensaio sobre a cegueira política. Saramago com Camus: o pato e a peste.

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O ausente: ninguém fala de Cunha, ninguém viu (Ilustração: Aroeira)

“Um Pato que não é só um Pato”, escreveram em dezembro a jornalista Joana Monteleone e o ex-deputado Adriano Diogo, relembrando o papel da Fiesp durante a ditadura. “Todos os dias a Fiesp, contrariando a lei da cidade limpa, faz propaganda contra o governo federal, num show de luzes brega montado no próprio prédio pelo senhor Paulo Skaf. Prédio este, aliás, erguido com muitas facilidades governamentais na década de 1970, os anos mais sanguinários do regime militar”.

Paulo Skaf: protagonista do golpismo (Foto: Ayrton Vignola/Fiesp)

E lá vem o golpe, golpe aqui, golpe acolá.

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6 ideias sobre “Golpe do Pato: a face absurda da cena política brasileira

  1. Golpe? Não concordo. Acredito que estão lutando pelos seus desejos. Um País com menos imposto, ou ainda, com pouco imposto mas que estes retornem ao povo em forma de benfeitorias. Pagamos, pagamos, pagamos e nada de voltar pra gente em forma de obras, etc. A campanha do pato é uma boa ideia e devemos admitir que precisamos dela.

    • OK. Acredito que você acredite que a campanha da FIESP seja mesmo pela redução de impostos.

      Uma sugestão, todavia: verifique a estrutura tributária brasileira e veja quais segmentos da população mais recolhem impostos.

      Depois, veja se a FIESP apoia uma reforma tributária que grave mais a renda que o consumo, que grave a herança e as grandes fortunas.

  2. Achei que falou, falou e não disse nada, amigão…
    O pato é uma simbologia importante no Brasil, por causa da expressão que a gente usa quando não quer arcar com alguma responsabilidade que não é nossa. O governo insiste em empurrar impostos e agora insiste que a gente aceite esses desmandos e roubos. ISSO SIM só dá pra aceitar se a gente se fizer de cego.
    Mas por favor, vamos trocar o disco com essa história de golpe, porque não é golpe quando milhões de brasileiros estão insatisfeitos com uma situação e exigem mudanças.

  3. se isso q ta acontecendo se chama golpe, eu não sei mais o significado de democracia!!!
    votei no SKAF para governador e hj mais do que nunca tenho certeza de q acertei e votaria de novo… o cara deu um apoio enorme pra todo mundo que foi na manifestação semana passada, alem disso faz mt por todo o estado com o Sistema S. mais do que o nosso “”governador”” faz.

    • É o que dá sair em manifestação atraz de um pato amarelo. Hoje caiu o 3º ministro devido á corrupção, e as panelas gourmets despareceram.

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