A lama da Samarco e o jornalismo que não dá nome aos bois

Bento Rodrigues: povoado soterrado pela Samarco sintetizava um modo de vida tão esquecido pela imprensa quanto os impactos sociais e ambientais do mundo corporativo

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Por trás da lama da Samarco afirma-se o gosto amargo de um jornalismo subserviente, a serviço do mercado. Dezenas de pessoas estão desaparecidas em Mariana (MG). Entre elas, crianças. O vídeo acima mostra como era o cotidiano de um povoado destruído. Mas a maior tragédia socioambiental brasileira do século XXI  já começa a ser soterrada pelos jornais, após uma cobertura protocolar. Da lama à ordem: ignoram-se os conflitos, minimizam-se as contradições e se assimilam os discursos cínicos de executivos e de membros do governo. Com a clássica blindagem dos sócios da empresa.

Primeiro enumeremos os donos. Já se sabe que 50% da Samarco pertence à Vale, a Vale que tirou o Rio Doce de seu nome e nele despejou lama tóxica. A outra metade pertence à anglo-australiana BHP Billiton, uma fusão da australiana Broken Hill Proprietary Company com a inglesa (radicada na África do Sul) Billiton, atuante nas veias abertas do Chile, Colômbia e Peru (onde tomou uma multa ambiental de US$ 77 mil após contaminação por cobre), no Canadá, Reino Unido e nos Estados Unidos, na Argélia, no Paquistão e em Trinidad & Tobago. Já protagonizou na Papua Nova Guiné uma contaminação fluvial histórica. As maiores mineradoras do mundo.

E a quem pertence à Vale? Esse capítulo costuma ser omitido, quando se fala de impactos sociais e ambientais. A empresa é controlada pela Valepar, com 53,9% do capital votante (1/3 do capital total). Com 5,3% para o governo federal, 5,3% para o BNDESpar, 14,8% para investidores brasileiros, 16,9% na Bovespa e 46,2% de investidores estrangeiros (este percentual cai para 33,9% no caso do capital total). De qualquer forma já temos que a Samarco – com a metade anglo-australiana e com esses investidores estrangeiros da Vale – tem mais da metade de suas ações nas mãos de estrangeiros.

E quem manda na Valepar, que controla a Vale? 1) Fundos de investimentos administrados pela Previ, com 49% das ações; 2) A Bradespar, do Bradesco, com 17,4%; 3) A multinacional Mitsui, um dos maiores conglomerados japoneses, de bancos à petroquímica, com tentáculos na Sony, Yamaha, Toyota, com 15%; 4) O BNDESpar, com 9,5. (Ignoremos os 0,03% da Elétron, do Opportunity e seu onipresente Daniel Dantas. E registremos que, com a Mitsui, aumenta ainda mias a participação de estrangeiros na Samarco.)

BNDES? Previ? Mas por que, então, a imprensa acostumada a fustigar o governo federal não fiscaliza com mais atenção a Vale, símbolo da privatização a preço de banana? Simplesmente porque não tem o saudável hábito – a imprensa brasileira – de fiscalizar corporações. E porque essas instituições não estão sozinhas. Porque tem a Mitsui, o Bradesco – o bilionário Bradesco. Com um governador petista dando entrevista coletiva na sede da Samarco. (O capitalismo não é para amadores.) Não há um acompanhamento sistemático do custo social e ambiental das aventuras plutocratas, sob governos de siglas diversas. Pelo contrário: o que há é um marketing despudorado.

EXECUTANDO ADVÉRBIOS

Essa rede de donos da Samarco manifesta-se por meio de um jovem executivo, Ricardo Vescovi. Os gerentes de crise da empresa tiraram o site do ar (sabe-se lá com quais informações) e divulgaram esse vídeo do presidente no Facebook. Com seu milagre de multiplicação de advérbios insossos e pronomes totalizantes, insensíveis aos dramas dos mineiros. “Lamentavelmente”, “imediatamente”, “absolutamente todos os esforços” em relação ao “ocorrido”, “todas as ações”, “todos os esforços”, “igualmente não medindo esforços”, “todo apoio”, “toda solidariedade”, “lamentamos profundamente” o “acontecido”.

Os mais desavisados poderão até ficar com dó do pobre coitado. Ainda mais após as declarações do governo mineiro de que a Samarco foi “vítima” do rompimento da barragem. E após jornalistas irresponsáveis replicarem notícias sobre “tremores de terra” que acontecem todos os dias. Muito embora a empresa já soubesse, desde 2013, que a barragem – como outras pelo país que ainda não desabaram – estava condenada. E que essa não tenha sido a primeira tragédia em Minas Gerais. São esses mesmos jornais que não se furtam a cobrir, de forma reverente, o que as empresas chamam de “sustentabilidade”, “responsabilidade social e ambiental”.

Alguém poderá argumentar que um jornal da grande imprensa, o Estadão, divulgou notícia sobre o laudo de 2013 que mostrava os problemas estruturais na barragem. Sim. Em 2015. Mas cabe lembrar que uma ou outra notícia isolada após uma tragédia está longe de caracterizar a cobertura crítica de um setor econômico. Se o tema não se mantém na manchete (passou longe disso, neste domingo, nos principais jornais do país), em artigos recorrentes, editoriais sistemáticos, não há o agendamento político efetivo – e sim o convite ao esquecimento. E à impunidade. (Quem vai fazer uma Operação Lava Lama?)

samarco

IMPRENSA DOS VENCEDORES

Essa mesma imprensa se esquece também de contar ao leitor que existe um choque entre modelos de apropriação do território e dos recursos naturais. O vídeo da TV Cultura sobre a comunidade destruída mostra – ainda que com uma abordagem que privilegia o exótico – um modo de vida bem diferente, onde as moradoras vão na casa das outras, plantam-se pimentas no quintal e se produz geleia, coletivamente, em uma associação. Uma lógica econômica muito diversa da predação extrativista – e esgotável – protagonizada pela Samarco, esse nome amorfo emprestado a dois expoentes do capitalismo mundial. Quem disse que há consenso?

Existem movimentos sociais específicos de atingidos pela mineração, ou atingidos pelas barragens. Até mesmo de atingidos pela Vale. Por que não se dá voz a essas pessoas? Se nem após os desastres isso acontece, o que se dirá do dia a dia?  Porque os cadernos e até revistas especializadas são de “negócios”, como se esses negócios pudessem pairar (numa sociedade democrática) acima dos interesses dos cidadãos. Por que os calam? Por que essa censura? Por que a destruição de uma comunidade inteira e de um ecossistema não comovem? Porque esse jornalismo é situacionista, economicamente situacionista. Torce para os vencedores.

Os mais eugenistas nem se constrangem em dizer que aquelas populações não deviam estar ali – deviam abrir alas para a distinta mineradora. Como se fosse um bem infinito para o país o esgotamento de seus recursos minerais. Não se questiona o modelo e nem suas conexões com outros temas: a falta d’água, o crescimento e a falta de infraestrutura das periferias urbanas, inchadas também pela expulsão das populações tradicionais. Faz-se tudo menos um jornalismo sistêmico, que consiga olhar para temas simultâneos, para tendências econômicas e para o clima, para a desigualdade e os riscos ambientais. Com nome aos bois (ou aos caranguejos), o nome dos beneficiários. Quem ganha com isso?

NATURALIZAÇÃO

De um modo geral o efeito obtido no caso de Mariana é o de naturalização de uma matança e de um crime ambiental histórico. Como não houve chuvas, inventa-se um terremoto. A morte horrível de moradores e a destruição de um povoado por uma empresa ganham, no máximo, uma cobertura similar à das tragédias em São Luís do Paraitinga ou Petrópolis (fruto também da especulação imobiliária), ignorando a cadeia de sócios, os interesses políticos em torno das mineradoras ou o risco estrutural que esse tipo de exploração impõe ao ambiente, aos trabalhadores e vizinhos, bola pra frente que em janeiro teremos “outras enchentes”. Como se fizesse parte do sistema ser soterrado por uma lama tóxica enquanto se planta alface.

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76 ideias sobre “A lama da Samarco e o jornalismo que não dá nome aos bois

    • Encaminho texto do jornalista Lúcio Flavio Pinto sobre a tragédia de Mariana:
      O efeito da propaganda
      Lúcio Flávio Pinto
      Alguns dos principais veículos da grande imprensa nacional deram à tragédia de Mariana, em Minas Gerais, causada pelo rompimento de barragens de retenção de rejeitos da produção de pelotas de minério de ferro, o tratamento adequado e o destaque merecido. Mas a grande maioria dos órgãos de comunicação minimizou o fato, imensamente grave, e omitiu o quanto pôde o nome da Vale, dona de 50% da Samarco, a segunda maior exportadora de pelotas do país, com receita de 7,5 bilhões de reais no ano passado e lucro de R$ 2,8 bilhões (quase 40%). Será que esse comportamento dissonante do mais elementar jornalismo tem a ver com a bilionária verba publicitária da Vale na imprensa brasileira? Por que uma empresa de mineração, que vende para um grupo seleto de poucos compradores um produto que é avaliado por milhões de toneladas, através de contratos de longo prazo, principalmente para o exterior, gasta tanto fazendo propaganda na mídia? Juntando os dois parágrafos tem-se a resposta. A Vale tem sido uma das maiores compradoras da conivência, omissão ou parceria da imprensa brasileira. O Pará é um dos maiores exemplos disso. Desde que o grupo Liberal acertou suas contas com a mineradora, em 2003, alguém já leu alguma coisa de mais significativa contra a Vale nos veículos de comunicação – tanto da família Maiorana quanto dos Barbalhos? Quem apresentar essa matéria ganhará um quilo de minério de ferro.

    • Se essa Mineradora fosse da PETROBRAS o que estariam dizendo os grandes Jornais !!! No mínimo pedindo a cabeça da Diretoria e responsabilizando o Governo Federal…

      • É tanto dinheiro envolvido que ninguém tem coragem de se manifestar. Da Petrobrás só agora as pessoas podem falar porque todo mundo já está sabendo, mas há alguns anos ninguém ia ter coragem de falar qualquer coisa da Petrobrás.

        • Ora, Todo m undo já está sabendo, porque agora as pessoas podem falar. Nos tempos de FHC podia-se falar? Os jornais denunciavam? O próprio confessou, em livro publicado há dias, que sabia, mas resolveu não tomar atitude. E a CPI que, na ocasião, se tentava na Câmara foi abafada, recebendo o presidente do PSDB e senador Sérgio Guerra 10 milhões para impedir a investigação (está nas denúncias da Lava-a-Jato). Bem razão teve a Presidenta para dizer que o Brasil não precisava passar pelo que está passando, os problemas deveriam ter sido resolvido há 16 anos.

    • Apesar do artigo ser longo , ele não é cansativo, pois usa recursos audiovisuais, passa pelo cotidiano da cidade e mostra o cenário de uma empresa voltada para o mercado, num país que segue e insiste no modelo americano de felicidade, passando pela composição acionária da SAMARCO – Recomendo.

    • Temos responsabilidade social e política diante da sociedade, essa coisa de só nos queixarmos e acharmos que os políticos são ruins, fazem de nós cumplices desses mesmos políticos, não falo aqui de exercermos militância partidárias, partido A, B ou C, falo da transformação dessa sociedade que tanto criticamos, podemos exercer esse senso crítico para transformação da sociedade na sala de aula, na roda com amigos, na associação do bairro, na igreja, com os nossos filhos e familiares etc. Este repórter e geógrafo é uma referência na compreensão do jogo político e midiático exercido na sociedade que vivemos, sem essa compreensão viraremos bonecos de ventríloquo das forças que controlam as informações, o que está por trás da coxia é o que faz o espetáculo, ficar na plateia aplaudindo nos faz parecer mico de circo, a história não merece pessoas assim.
      Hoje tive saudade da sala de aula, do papel intrínseco do professor em descortinar a verdade diante dos olhos ofuscados de seus pupilos, do mito da caverna, da luz forte e brilhante da verdade, que em primeira mão nos cega, mas depois nos faz regozijar diante de tal descoberta. Uma pequena apresentação do repórter geógrafo:
      Alceu Luís Castilho é formado em Jornalismo desde 1994 pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter do jornal O Estado de São Paulo (1994-2001), fundador e diretor- executivo da Agência Repórter Social (2003-2010). Ao longo de sua carreira jornalística recebeu diversos prêmios: Fiat Allis de Jornalismo Econômico (1999), Vladimir Herzog (2004), Direitos Humanos de Jornalismo (2004), Andifes (2007). Recebeu em 2007 o título de jornalista Amigo da Criança, pela Agência de Noticias dos Direitos da Infância e foi, neste mesmo ano, finalista do Prêmio Esso com a reportagem Câmara Bilionária. Atualmente, além da carreira como jornalista e graduado em Geografia pela USP.

      Comprometido com um jornalismo em defesa dos direitos humanos e sociais, Alceu Luís Castilho lançou recentemente o livro O partido da terra: como os políticos conquistam o território brasileiro, no qual expõe de maneira didática quem são os políticos eleitos nos anos de 2008 e 2010 (ou 2006 no caso de 27 senadores e 54 suplentes) proprietários de terras no Brasil e como estes detêm uma parcela do território nacional. Para isto, o autor reuniu, comparou e analisou mais de 13 mil declarações de bens apresentadas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São senadores, deputados federais, deputados estaduais, governadores, vice-governadores, vice-presidente da República, prefeitos e vice-prefeitos que juntos possuem pelo menos 2,03 milhões de hectares declarados à Justiça Eleitoral. Desta forma, o autor revela um Brasil agrário dominado por alguns poucos homens públicos.

      PS.: O papel do geógrafo, antes de mais nada, é traduzir a ocupação política e econômica na sociedade, pois daí advém toda a transformação social e espacial da humanidade.
      Atenciosamente,
      Robson Vieira Santiago
      Geógrafo e advogado agrário e ambiental.
      Ex-membro do Conselho nacional de recursos hídricos e do comitê de bacia hidrográfica do Rio São Francisco.

      PS.: Com os olhos cheios de lágrimas e a sensação de impotência diante de tal tragédia, só nos cabe agora gritar e gritar o mais alto possível sobre a conivência do grande capital com a mídia e a justiça.

    • Nosso afã de consumir e aproveitar todos os mais novos confortos propiciados pela tecnologia é o detonador da bomba ambiental que estamos vivenciando. A nossa consciência das tragédias é ofuscada pela insistente propaganda de que podemos desenvolver um mundo melhor e mais justo através do incentivo ao consumo e a acumulação capitalista. Acreditamos que a ciência vai resolver todos os problemas criados pela industrialização. Mas os capitalistas não querem nem ouvir falar de aceitar a diminuição dos seus ganhos para ter prevenção e reservas de segurança que possam mitigar os desastres, quando os desastres podem ser remediados.

    • A Vale foi privatizada pelo governo FHC, que através da lei Kandir, isentou a empresa de pagar ICMS, o que considero um absurdo. E mais, uma das empresas que adquiriu, como fala a matéria, já é réu em outros acidentes ambientais em outros países. A idéia estúpida que as empresas estrangeiras tem engenharia melhor que as nacionais, é um erro contundente. O que ocorre na maioria das grandes empresas que estão sendo privatizadas, é que além de estarem sendo vendidas com preços irrisórios em relação a seu valor real, elas não tem nenhum comprometimento com o país.

    • É bem pior do que se fala! Levará anos para a natureza voltar a ser como antes, rio Doce potável. Até lá recomenda-se, não beber pelos próximos anos as águas do rio, pois teremos aí uma geração de nossas crianças de hoje, futuros pacientes com várias maléficas doenças.

  1. … E o Sr. Aécio falou que não é hora de procurar culpados. Claro, nunca chegaremos a essa hora, quando os evidentes culpados, fazem parte da corja que alimenta suas campanhas eleitorais.

  2. “Eu sou a voz que clama no deserto, endireitai os caminhos do homem”.
    Eh amigo, estamos numa guerra insana, louca e desigual em que os embates são tragicos e sem nenhum senso de razão ou objetivo. Erramos por muito tempo, a esmo sem norte nem destino e se tornou dificil, afinal saber quem somos. Ainda restam solitarios que clamam nas amplidões mas, seu grito é mal ouvido, e nada entendido. Ficamos em estado de transe, de sonho desesperado; ou nos irmanamos aos rebanhos que marcham alheios ao seu destino tragico. Que triste vida, realidade de um povo que se esqueceu que é um povo, e ja não sabe nem o que se é! Vamos em frente; utopias são venturosas, movem o mundo. Só demanda alto nivel de convicção e consciencia. Abraço.

  3. Parabéns pelo texto!
    Em meio a uma cobertura jornalística capenga, que não tem coragem de nomear os reais responsáveis pelo desastre ambiental iniciado em Mariana e estendido pelo vale do Rio Doce e que erra até os nomes das cidades que são cortadas por este rio, é bom ler este tipo de informação!

  4. Enfim uma análise completa. Infelizmente o jornalismo está sempre ali na superfície, sob a eterna desculpa do tempo. E os jornalistas cada vez mais despreparados. Mas esta é uma discussão tão antiga, quanto a de que tudo é culpa da “grande imprensa”.

  5. Foi a melhor e mais relevante matéria que li, até agora, sobre a tragédia causada, em Mariana e em todo o vale do rio Doce, pela lama da Samarco. Parabéns.

  6. Pelo visto mais uma tragédia nesse País que não terá uma solução favorável, se é que é possível nesse caso, para os atingidos.
    Vivemos uma época de valores e princípios distorcidos, principalmente por aqueles que detêm o poder e estão em posição de fazer prevalecer a Justiça!
    Uma pena!!!

  7. grandes interesses encobrindo enormes tragédias, o artigo situa de forma clara que não existe a vontade de chegar à raiz destas tragédias “anunciadas”. Acidentes de percurso na exploração dos recursos deste país. Há algo de novo nisto tudo?

  8. Parafraseando O Rappa, “… Da lama ao caos, do caos a lama, o homem roubado nunca se engana… Com a barriga vazia não consigo dormir… E com o bucho mais cheio comecei a … rs…. Que eu me organizando posso desorganizar…..”

  9. Sobre a tragédia ambiental em Mariana – O Governo de Minas quer anistiar multas de algumas empresas poluidoras do Estado, a maioria mineradoras, como a Samarco, flagradas cometendo CRIMES AMBIENTAIS. A iniciativa é vergonhosa e insinua um pacto montado na imoralidade que estimula, AQUI NO NOSSO PAÍS, a convivência entre estes entes e o Poder Público. Não foi à toa que o ex-governador Itamar Franco cassou, na sua administração, a indicação do atual secretário de Meio Ambiente do Governo Fernando Pimentel, Sávio Souza Cruz, para a secretaria de Meio Ambiente. Em matéria publicada pelo jornal ESTADO DE MINAS, se descobriu que o atual secretário tinha uma empresa de consultoria ambiental que organizava processos de licença ambiental para ser concedida pelo próprio órgão que ele iria presidir. A oposição na época falava que o ex-governador quase colocou a RAPOSA para tomar conta do GALINHEIRO.

  10. Apesar da explicação sobre os donos do capitalismo, tragédias sem intervenção da natureza como essa não ocorrem na europa, japão, eua ou canadá. Pra mim foi um misto falata de ética, educação, motivada pela necessidade das empresas de sobreviver em um país com impostos escorchantes e nenhuma infraestrutura de logística. Encontrei uma pessoa do ramo na internet (eu não sou) que parece saber o que fala e eu concordei. Retirado da internet: “Deixa explicar como funciona: A Samarco anuncia que contratará uma empresa de engenharia e outra de terraplanagem para fazer a obra da barragem. Aí vence quem apresentar o menor preço. O fornecedor tem suas margens espremidas ao máximo, operando quase no prejuízo. Geralmente o projeto é lindo e maravilhoso, mas falta fiscalização, porque esta representa custo para os engenheiros. Daí sem fiscalização a empresa de terraplanagem faz a obra de qualquer jeito, porque o preço que acertou é fixo, então o negócio para ter lucro é diminuir o custo, utilizando material ruim, fazendo um aterro de qualquer jeito, sem medir se o material está compactado para colocar outra camada, e assim vai. Depois de pronto, todos os envolvidos rezam para não dar uma lambança dessas.”

  11. Realmente dar nome aos bois!!! Quem tem pode(R)$ manda, quem é fraco que continue como está e pior se quiser. O Fator dinheiro!!! Deixa tudo por dbaixo do tapete ou melhor por dbaixo da lama é uma lampaça total.

  12. Difícil fazer uma cobertura completa ao gosto de todos. O principal do que você comenta eu já tinha visto na grande mídia. Porém, nem você nem ninguém investigou sobre a constituição da tal lama tóxica. Também ninguém, nem você, falou do silêncio do Governo Federal e do Ministério do Meio Ambiente. Nem todos os bois foram nominados.

  13. É cruel a forma como o jornalismo nos traz somente desgraças. Todas as redes
    nos trazem, diariamente, assaltos, mortes, estupros, inundações, notícias pagas
    e notas plantadas. O jornalismo tem de ser independente e repensado mas, infelizmente está soterrado neste lamaçal de interesses. Com esta política constituída pelas manadas de bois de presépio, eleitores manipulados pelas campanhas mentirosas e sujas, estão aí os vereadores, deputados, e senadores ministros.e uma infinidade de autoridades… É a lama !
    Há que surgir um nome crível que conduza o País em linhas mais éticas, criativas e e serias. O mundo, esta pequena aldeia, corre um sério risco de que um Hitler da vida reapareça e coloque os países menos providos de pessoas inescrupulosas. Que seja rápido, antes que o Brasil se constitua, de vez,em um rico curralzinho liderados pelos mesmos,
    Que os sobreviventes desta tragédia de Bento Rodrigues tenham todo o nosso apoio irrestrito. Já se imaginou o dia em que faltar energia elétrica, água nas nossas casas e acabar de vez a vergonha nas nossas caras ?
    Um abraço forte e afetivo a quem concordar com esta balbúrdia brasileira.

  14. Obrigado pelo texto. Extremamente pertinente, direto, lúcido, responsável e necessário. Sem a democratização dos meios, não veremos uma democracia digna para os mais fracos.

  15. Em primeiro lugar gostaria que houvesse a união de todos em torno do propósito de não deixar cair no esquecimento esta tragédia, em outras épocas não possuíamos meios de comunicação ao alcance de todos como hoje dispomos, aí está a Internet, sou um Brasileiro de 70 anos de idade e que desde muito cedo tem acompanhado o comportamento tanto do povo brasileiro quanto de seus algozes políticos e capitalistas, desde o coronelato absurdo que tantos desmandos protagonizaram por todo o país, até os bandidos mais moderninhos na forma e nos métodos de agir dos ocupantes do que chamam de “Congresso Nacional” e que eu chamo de COVIL DE BANDIDOS que deveria ser FECHADO e em suas portas colocadas faixas com os dizeres: INTERDITADO POR ORDEM DA CONSCIÊNCIA COLETIVA DO POVO BRASILEIRO, estes bandidos tomaram de assalto um país inteiro, acobertados por um imprensa SAFADA, que deveria ter todas as concessões cassadas e seus donos encarcerados em masmorras. Sou livre, aos 70 anos livrei-me da absurda obrigatoriedade de votar nestes canalhas, mas, no dia em que homens de verdade se apresentarem para servir ao povo, votarei, nem que tenha 100 anos, este é o meu País e conheço outros e sofro muito por vê-lo tratado desta maneira. VAMOS PUBLICAR DIARIAMENTE ALGO SOBRE A TRAGÉDIA DE BENTO RODRIGUES, NÃO É POSSÍVEL ESQUECER.

    • Gostei muito do comentario do Sr Antonio Eustaquio,parabens ,quanta coisa que nos temos e naõ sabemos quem estaõ aproveitando a riqueza do Brasil e como some do pais a vista das autoridade.eu ouv i pouco tempo que nos detemos 80% do minerio mais cara que ouro, e nenhuma imprensa falada naõ alias comprada fala de um minerio Chamada Niobio,alguns c omentam que existe no estado de roraima e na amazonia o nome me parece algo Saõ gabriel da cac hoeira será ,muitos anos atras pasei na cidade de araxa em minas e uma pessoa dizia que muita gente esta correndo para este garimpo,eu perguntei um deles disse caseterita,mas este e pra produzir estanho naõ ? e pouco tempo tive noticias de que em araxa produz Niobio,eu pergunto entaõ os garimpeiros vende como caseterita que e na verdade e Niobio será? alguem por favor me esplique obrigado a todos,

  16. Gostaria de deixar meu comunicado ,ao sr; jornalista que pedisse pra visitar a nossa comunidade de São sebastião do bom sucesso ,distrito de Conceição do Mato Dentro ;M.G ! Onde é situada a mineradora Anglo America que ate então dizem que não somos diretamente atingidos ,se morramos a 700mts de distãncia .onde esta esta sendo aberto para construção de barrage de regeito,será que queren que acontecen o mesmo que aconteceu ai em Mariana ? Segundo o que ouvimos dizer a barrage que existe la na Anglo esta danificada. Espero que esta tragédia que aconteceu com nossos irmãos não venha acontecer conosco.Somos pobre e precisamos de apoio com as autoridades pra re ver nossa situação,porque somos atingidos sim e não temos força contra o poder.Gostariámos de receber o apoio de voces e acompreenssão.

  17. O que mais me entristece é que, em meio a carestia de água que já sofremos, apesar do grande volume de água, a população não terá água tratada, devido a grande concentração de Minérios. Eu não tenho domínio sobre processos de tratamento de água, mas tenho certeza de que este rio ficará impróprio para tudo por muitos anos… Vão esvaziar toda a região do Vale e do ES para onde?
    Sinto muito, caminhões pipa não são paliativos nem solução.

  18. completando: toda esta região afetada tem casas, igrejas e outros monumentos que dificilmente serão recuperados/ reconstruídos. e tudo isto é parte do povo.

  19. Importante tirar dessa história que a samarco transportava o minério através de um mineroduto atá o litoral, gastanho kilhões de litros dágua nessa seca. Sugiro que os jornalistas façam um levantamento de todos os minerodutos em uso, os em construções como o absurdo mineroduto de conceição de mato dentro e que se faça um movimento pelo fim dos minerodutos. Quer explorar, que crie um tecnologia que não use água.

  20. moro no rio grande do sul. desde a épocaem que josé lutzemberguer fazia palestras. desde que olivo dutra implementou a coleta seletiva em porto alegre. ou antes disso, eu ensinava meus tres filhos que lixo organico iria pra compostagem, o reciclavel iria para os catadores e o que nao seria reaprveitado iria pro lixao. E ASSIM FOI PASSANDO O TEMPO. fui um dos primeiros no rs a sujerir que a educaçao ambiental deveria comessar na escola. enfrentei duras criticas no inicio, mas aos poucos conquistamos espaços rasoaveis. ouvi comentarios de que ummenino de bento ribeiro temia o rompimento das barragens. estava previsto o desastre, mas em nome do capitalismo voras nos enlutaram com esta tragedia criminosa. alguem tem que pagar. sera que vai acontecer justiça? me solidariso com bento e todos os que sofrem com as vitimas. abraços fraternos.

  21. Como mãe não consigo colocar minha cabeça no travesseiro ao ver crianças morrendo devido a ganância e irresponsabilidade dos homens deste país.
    Indignação é a única palavra.
    Quantas outras terão que morrer?

  22. Excelente artigo. Faz com que tenhamos consciência de que a ganância de uma minoria burguesa foi responsável por mais um desastres ambiental. Será que ainda teremos tempo de reverter tanta destruição? Não sei. Enquanto o planeta for administrado por uma minoria de 1% da população que só pensa no lucro desastres iguais ou piores continuarão acontecendo. Se serve de consolo; esses 1% de FLDPs. também sofrerão com a merda que estão fazendo.

  23. Jornalista Alceu Castilho, este seu texto está extraordinário! Parabéns! Poucas vezes na vida eu li um texto jornalístico tão verdadeiro, tão objetivo, com ótima argumentação e exposição dos fatos… Um texto que nos faz sentir enorme indignação, junto a uma profunda desesperança, fragilidade e vulnerabilidade. Lamentavelmente, esse brilhante texto não foi escrito pela ambientalista de última hora, Marina Silva…. Talvez porque ela esteja muito ocupada com a organização interna de seu recém criado partido Rede Sustentabilidade…

  24. Cadê a turma do PSDB que por muito tempo governou Minas Gerais, inclusive por ocasião das concessões das licenças ambientais para a implantação dos projetos dessa Mineradora. Acho que viraram cágados e avestruzes, esconderam as cabeças nos cascos e nos buracos deixados por essa tragédia. A pauta agora é o Cunha para esquecer os responsáveis por essa tragédia

  25. Boa tarde! primeiro quero desejar a você sucesso nas reportagens, este artigo é bastante revelador, os interesses que são acobertados pela grande imprensa, cada dia mais precisamos que o chamado jornaslismo alternativo alternativo, torne-se não alternativo, e que possamos criar uma rede de solidariedade, acho que é isso!

  26. Uaaau!!! Enfim Jornalismo !!! 100% Jornalismo !!! Didático e completo !!!
    Acho que se fosse a Petrobras … o neto do Tancredo já estava de fraque para a posse e os militares já estariam a postos … a lama não cobriu só Mariana … cobre o Brasil inteiro !!!

  27. Aconteceu no período errado… Para uma pior privatização, do que foi, a CVRD seria doada ao capital estrangeiro e mercado aberto.

    Se fosse a PETROBRÁS… mais uma a preço de banana!

    Ainda em tempo: Vale 49% BH Billiton 51% (Não reduz e nem aumenta a culpa em 1%).

  28. Foi um acidente sim.
    Segundo o conceito prevencionista, que usamos em segurança do trabalho, “Acidentes não acontecem, são provocados”.
    Este caso de Mariana é a prova cabal desta definição.

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