O ciberativismo começa a explorar um novo terreno: como o Google Maps e outros sistemas são usados coletivamente para tornar visíveis (e transformar) realidades que a mídia menospreza
Por Sarita Bastos
Tinha uma pedra no meio do caminho. Onde? Em qual latitude? Em qual longitude? Se Carlos Drumond de Andrade tivesse identificado em algum mapa o local exato dessa pedra, talvez evitássemos essa trilha e seguiríamos outras rotas. Mas o território do poeta era sentimental, pessoal, verbal e impossível de rastrear por satélite.
E no entanto, o mundo está cheio de pedras, buracos e campos minados sem nenhuma poesia. Muitas pessoas seguem sem parar para olhar, analisar e limpar o caminho. Outras, apesar das “retinas tão fatigadas”, observam o território com atenção e exibem para o mundo as coordenadas geográficas do problema.
A criação de mapas online, interativos e com a possibilidade de edição colaborativa agrega valor visual e informativo aos dados numéricos sobre diversos temas. Internautas usam o Google Maps e outros serviços de criação de mapas online para criar mashups reunindo dados, vídeos e fotos de diferentes fontes.
Apresentamos alguns exemplos de mapas customizados, informativos e socialmente necessários:
Mapa das inundações no Norte e Nordeste:
Mapeamento das informações sobre os municípios do Norte e Nordeste mais atingidos pelas enchentes dos meses de abril e maio de 2009. A área que concentra mais marcadores evidencia os estados mais afetados – Maranhão, Piauí e Ceará. O mapa, editado coletivamente, ajuda na mobilização de doações para as vítimas.
India – Eleições 2009
As eleições parlamentares na Índia foram monitoradas pelo site Vote Report India (votereport.in). Os usuários informavam casos de violações do código eleitoral por meio de mensagens SMS, e-mail ou no próprio site. Todos os dados podem ser visualizado em um mapa interativo.
Mapa coletivo da gripe H1N1
Mapeamento do avanço da epidemia da gripe H1N1, que ficou popularmente conhecida como gripe suína. Por meio do mapa, rapidamente identificamos as principais regiões de contágio.
Zimbábue: Eleições 2008
O mapa da violência política que marcou as eleições de 2008 no Zimbábue impressiona. A vitória de Robert Mugabe ocorreu num processo de intimidação e assassinato de opositores. O mapeamento faz parte de uma campanha por liberdade e democracia no site Sokwanele.
Buracos de Fortaleza
O mapeamento colaborativo dos buracos nas ruas da capital do Ceará foi idealizado por blogueiros cearenses. A mobilização foi feita no Twitter pela tag #buracosfortaleza. O movimento gerou pauta na imprensa e pressionou a Prefeitura municipal a iniciar operação tapa-buracos.
WikiCrimes
O site WikiCrimes permite o mapeamento de crimes em todas as regiões do Brasil. A atualização dos dados é colaborativa, cada usuário pode realizar notificações. WikiCrimes foi concebido por Vasco Furtado, professor titular da Universidade de Fortaleza.
Os links abaixo apresentam dicas de como construir seu próprio mapa:
Tutorial do Google Earth solidário
Dicas de um fuçador
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Antonio Martins
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Sarita,
Por acaso tu trabalhas com TICs, Mídias Sociais e Redes Sociais? Sou mestre em Ciências da Comunicação pela UNISINOS e estou disposto a morar em qualquer lugar do Brasil onde haja alguma universidade interessada em disciplinas, cursos de extensão e em bancar pesquisa de doutorado relacionada à Informática na Educação e à Comunicação Digital.
Esse estudo de caso já deve ter dado artigos acadêmicos interessantes…
Besos,
Hélio
Olá amiga sarita,
fantástico este seu trabalho. Para quem acreditava que o jornalismo e a geografia nunca poderiam se encontrar, eis que você me mostra o “elo perdido”
Beijos,
As possibilidades do ciberespaço me impressionam. Os exemplos que vc citou mostram o impacto social dessa ferramenta às nossas mãos. Preciso me atualizar!
Parabéns, Sarita!!!
Lembrando outros mapas de interesse social ou cultural, feitos também com mashup do GoogleMaps:
Mapas da Rede (mapa dos Pontos de Cultura no Brasil): http://mapasdarede.ipso.org.br
Observatório Nacional de Inclusão Digital (mapa dos telecentros no Brasil): http://onid.org.br/mapa
[s]
Carlos
Hélio, desde 2005 faço trabalhos de análise e acompanhamento em mídias tradicionais e mídias sociais também. Mas gosto de fazer isso não apenas para trabalhos de projetos específicos, faz parte da minha rotina de curiosa e fuçadora.
Bom saber que você está disposto a estudar o tema em qualquer lugar do Brasil. Enviarei o contato do professor Francisco Gonçalves, Chefe do Departamento de Comunicação Social da UFMA, onde fiz minha graduação.Será um bom encontro.
Valeu, Celso. Listei alguns exemplos, mas sei que há muitas iniciativas relevantes publicadas na rede.
beijos